Corte no Seguro Rural coloca safra 2026/27 em risco e preocupa agronegócio
Com menos da metade dos recursos previstos liberados, programa pode reduzir área segurada em ano marcado pelo risco de um Super El Niño e maior exposição dos produtores às perdas climáticas
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
A redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) acendeu um alerta no agronegócio brasileiro para a safra 2026/2027. Embora a Lei Orçamentária Anual (LOA) preveja R$ 1,01 bilhão para o programa, apenas R$ 473,8 milhões estão disponíveis, cenário que preocupa produtores, entidades do setor e parlamentares diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que, apesar dos avanços registrados desde a criação da Lei da Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, em 2003, a cobertura do seguro ainda é insuficiente no campo brasileiro.
Segundo Lupion, a falta de previsibilidade na liberação dos recursos compromete a oferta de apólices, encarece o custo do seguro e reduz a segurança para os investimentos no setor agropecuário.
Um estudo elaborado pelo Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) estima que, nas condições atuais, a área segurada deverá cair para 2,69 milhões de hectares, o equivalente a apenas 2,78% da área agrícola brasileira. Caso todo o orçamento previsto fosse executado, a cobertura poderia alcançar 5,7 milhões de hectares.
Os pesquisadores alertam que a redução da área segurada amplia a exposição dos produtores rurais, das instituições financeiras e da política agrícola aos impactos provocados por eventos climáticos extremos. Além disso, a instabilidade orçamentária pode levar agricultores a desistirem da contratação do seguro ou assumirem custos adicionais para manter a cobertura, enquanto seguradoras tendem a elevar o preço das apólices diante da insegurança quanto aos recursos públicos.
Outro fator que amplia a preocupação é a previsão climática. De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 97% de probabilidade de que o fenômeno El Niño permaneça ativo até março de 2027. As projeções indicam ainda 81% de chance de que o evento atinja intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano, podendo figurar entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950.
Diante desse cenário, parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária defendem o fortalecimento do Seguro Rural como instrumento estratégico da política agrícola nacional. Para o deputado Tião Medeiros (PP-PR), a ampliação da cobertura é essencial para evitar o aumento da inadimplência e reduzir o risco de produtores abandonarem a atividade em razão de perdas provocadas pelo clima.
Como alternativa, a FPA apoia a aprovação do Projeto de Lei nº 2.951/2024, já aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em fase final de tramitação no Senado. A proposta impede o contingenciamento dos recursos destinados ao Seguro Rural, permite o aproveitamento de sobras orçamentárias do Proagro e reformula o Fundo de Catástrofe, ampliando a participação da União e da iniciativa privada no financiamento do sistema.
Segundo a entidade, a medida busca dar previsibilidade ao programa e transformar o Seguro Rural em uma política permanente de Estado, garantindo maior segurança para os investimentos no campo e maior proteção aos produtores diante dos crescentes riscos climáticos.
Foto: Divulgação
Matérias relacionadas
Frango e suíno ampliam exportações, mas mercado interno impõe desafios diferentes ao Paraná
Universidades ajudam a colocar Paraná na liderança nacional da produção orgânica
Prévia do PIB confirma retração do agro enquanto setor enfrenta entraves na renegociação de dívidas
Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.