Exportação de café: Receita cai 17% em abril com recuo nos preços internacionais
Apesar da leve alta no volume embarcado, faturamento do setor cafeeiro recua para US$ 1,1 bilhão; cenário reflete cotações baixas e barreiras comerciais nos Estados Unidos
As exportações brasileiras de café registraram queda na receita cambial em abril, mesmo com leve alta no volume embarcado. Dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil apontam que o setor faturou US$ 1,109 bilhão no mês, valor 17,7% menor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando a receita chegou a US$ 1,347 bilhão.
Segundo o Cecafé, a retração está ligada principalmente à redução das cotações internacionais do produto na comparação anual.
Apesar da queda no faturamento, o volume exportado apresentou leve crescimento. Em abril, o Brasil embarcou 3,12 milhões de sacas de café, avanço de 0,6% em relação às 3,10 milhões exportadas no mesmo mês do ano passado.
A entidade atribui esse pequeno aumento à entrada gradual dos cafés da nova safra no mercado.
Exportações acumulam retração em 2026
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o desempenho do setor cafeeiro segue abaixo do registrado no ano anterior.
Entre janeiro e abril, as exportações brasileiras somaram US$ 4,490 bilhões, queda de 14,4% em relação aos US$ 5,247 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O volume total embarcado também recuou. Foram exportadas 11,619 milhões de sacas no primeiro quadrimestre deste ano, número 16,1% inferior às 13,843 milhões de sacas enviadas ao exterior nos quatro primeiros meses do ano passado.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, afirmou que o cenário já era esperado pelo setor.
“O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações, assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, declarou.
Safra 2025/26 também apresenta retração
Considerando os dez primeiros meses da safra 2025/26, entre julho de 2025 e abril de 2026, o Brasil exportou 32,247 milhões de sacas de café.
O volume representa queda de 19,4% na comparação com o mesmo intervalo da safra anterior.
Mesmo assim, a receita cambial acumulada no período apresentou leve alta de 0,8%, alcançando US$ 12,551 bilhões.
Alemanha lidera compra de café brasileiro
A Alemanha segue como principal destino do café brasileiro no mercado internacional.
Entre janeiro e abril, os alemães importaram 1,563 milhão de sacas, o equivalente a 13,4% de todo o volume exportado pelo Brasil no período.
Os Estados Unidos aparecem na segunda colocação, com 1,390 milhão de sacas adquiridas, representando 12% das exportações brasileiras no quadrimestre.
Apesar disso, as vendas para o mercado norte-americano tiveram forte retração de 41% em relação ao mesmo período de 2025. O café brasileiro está entre os produtos impactados pelas medidas tarifárias adotadas pelo presidente Donald Trump.
Completam a lista dos principais compradores a Itália, com 1,182 milhão de sacas, além de Bélgica e Japão.
Café arábica segue dominante nas exportações
O café do tipo arábica continua liderando as exportações brasileiras. Nos quatro primeiros meses do ano, foram embarcadas 8,984 milhões de sacas da variedade, volume equivalente a 77,3% das exportações totais do setor.
Mesmo mantendo a liderança, o arábica registrou queda de 23,4% na comparação anual.
Na sequência aparece o café solúvel, com 1,338 milhão de sacas exportadas, representando 11,5% do total embarcado no período.
Já os cafés do tipo canéfora categoria que engloba conilon e robusta somaram 1,28 milhão de sacas, participação equivalente a 11% das exportações brasileiras.
Os embarques de café torrado e moído tiveram participação reduzida, com apenas 14.259 sacas exportadas no quadrimestre.
Porto de Santos concentra maior parte dos embarques
O Porto de Santos concentrou quase 75% das exportações brasileiras de café entre janeiro e abril, com movimentação de 8,678 milhões de sacas.
O complexo portuário do Porto do Rio de Janeiro respondeu por 21,3% dos embarques, totalizando 2,476 milhões de sacas.
Já o Porto de Paranaguá participou com 132.487 sacas exportadas, o equivalente a 1,1% do total nacional no período.
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