FAEP cobra resposta do poder público após tornados destruírem áreas rurais do Paraná
Entidade exige medidas emergenciais para produtores atingidos e pressiona Copel por agilidade no restabelecimento da energia nas propriedades
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Dois tornados atingiram o Paraná em menos de 24 horas e deixaram um rastro de destruição em propriedades rurais. Os fenômenos foram registrados entre a tarde de quarta-feira (9) e a madrugada de quinta-feira (10), em Francisco Alves, no Noroeste, e Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul. O Simepar confirmou as ocorrências e ainda avalia a intensidade dos tornados.
Os temporais também provocaram granizo e rajadas de vento em diferentes regiões do Estado, com danos em lavouras, casas, galpões, confinamentos, granjas e redes de energia elétrica.
Segundo levantamento da Defesa Civil, dez municípios registraram ocorrências relacionadas aos temporais nos dias 9 e 10, com 266 pessoas afetadas e 15 casas danificadas. Em Espigão Alto do Iguaçu, onde ocorreu o tornado mais severo entre os dois fenômenos já confirmados, os prejuízos atingiram principalmente propriedades rurais.
DESTRUIÇÃO NO CAMPO
Em Francisco Alves, o tornado ocorreu por volta das 17h de quarta-feira, em uma área pequena e localizada. O fenômeno teve curta duração e, até o momento, não há registro de danos diretamente associados à sua passagem. A supercélula que originou o tornado, porém, provocou forte queda de granizo em outras áreas do município.
O produtor Ricardo Travasso Raimondi teve cerca de 60 hectares de soja atingidos pelo granizo. A lavoura estava em fase inicial de germinação, e as pedras quebraram plantas que já haviam despontado do solo.
Sem seguro rural, o produtor ainda não conseguiu calcular o prejuízo. A possibilidade de replantio é avaliada, mas a necessidade de novos insumos deve aumentar os custos da produção.
Em Espigão Alto do Iguaçu, o segundo tornado ocorreu por volta de 0h40 desta quinta-feira. A comunidade de Boa Vista de São Roque e áreas próximas concentraram parte dos estragos.
No primeiro levantamento realizado na região, o técnico do IDR-Paraná Vanderlei Rohden encontrou cerca de 20 casas atingidas, galpões destruídos, plantações de eucalipto derrubadas e confinamentos de gado danificados.
Em um dos confinamentos, a queda de um poste matou um animal. Também houve produtores que perderam sementes destinadas ao plantio da soja após o material ser atingido pela chuva.
BARRACÕES E FÁBRICA DE RAÇÃO DESTRUÍDOS
O produtor Márcio Furman teve dois dos três barracões utilizados para guardar máquinas destruídos pela força do temporal. A casa onde mora ficou completamente destelhada e uma árvore caiu sobre a residência do pai.
Somente a reconstrução de um dos barracões deverá custar cerca de R$ 30 mil, segundo o produtor. A água também atingiu móveis e eletrodomésticos.
Outro prejuízo expressivo foi registrado na propriedade de Meysson Vetorello. A fábrica de ração de 400 metros quadrados foi completamente destruída.
A estrutura produzia aproximadamente 100 toneladas de ração por mês para o rebanho leiteiro. O produtor estima perdas entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, além dos danos provocados em milho e farelo de soja armazenados no local.
Na propriedade de Leandro Bonotto, a força dos ventos deitou uma lavoura de trigo e derrubou árvores. O produtor ainda aguarda a evolução da lavoura para saber se será possível recuperar a produção.
ENERGIA AGRAVA PREJUÍZOS
A falta de energia elétrica passou a ser outra preocupação nas áreas rurais atingidas. Até a tarde de quinta-feira, parte de Espigão Alto do Iguaçu permanecia sem fornecimento.
O problema afeta diretamente atividades que dependem de eletricidade, como ordenha, produção de leite, fabricação de ração, conservação de alimentos e funcionamento de equipamentos.
Em Marechal Cândido Rondon, os temporais também provocaram estragos, principalmente em telhados de granjas. O município registrou rajadas de vento de 112 km/h.
O presidente do Sindicato Rural, Edio Chapla, relatou que produtores enfrentavam problemas com o fornecimento de energia desde a madrugada e cobrou agilidade na normalização do serviço.
COBRANÇA POR RESPOSTA
Diante dos prejuízos, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, cobrou ações emergenciais para auxiliar as famílias rurais atingidas.
A entidade defende a ampliação do acesso ao seguro rural, rapidez no reconhecimento de situações de emergência e linhas de crédito para reconstrução de estruturas e reposição de insumos.
O setor também cobra prioridade no restabelecimento da energia nas propriedades rurais, principalmente onde a interrupção compromete atividades de produção de leite, alimentação animal e conservação de alimentos.
Os estragos provocados pelos tornados e pelos temporais reforçam a pressão por políticas de proteção ao produtor rural diante de eventos climáticos extremos. Para as famílias atingidas, além da reconstrução das estruturas, será necessário recuperar lavouras, repor insumos e restabelecer as condições mínimas para que a produção volte a funcionar.
Foto: Divulgação
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