Governo regulamenta linha de crédito de R$ 10 bilhões para incentivar inovação no agronegócio
Recursos poderão financiar máquinas, agricultura de precisão, conectividade e tecnologias desenvolvidas no Brasil; produtores e cooperativas poderão contratar até R$ 30 milhões
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
O Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou nesta quinta-feira (23) uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada ao financiamento de tecnologias nacionais para o agronegócio. A medida busca estimular a modernização das propriedades rurais por meio da adoção de equipamentos e soluções que aumentem a produtividade, reduzam custos e tornem a produção mais sustentável.
A regulamentação foi aprovada por meio da Resolução nº 5.331, que viabiliza a operação da linha de crédito criada pela Medida Provisória nº 1.374, publicada em 30 de junho.
Os recursos serão provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Quem poderá solicitar o financiamento
A nova linha de crédito estará disponível para:
produtores rurais pessoas físicas;
produtores rurais pessoas jurídicas;
cooperativas de produção agropecuária.
Cada beneficiário poderá contratar financiamentos de até R$ 30 milhões.
Segundo o governo, um dos diferenciais da medida é a inclusão de produtores rurais pessoas físicas, público que tradicionalmente encontra mais dificuldades para acessar linhas voltadas à inovação tecnológica.
Crédito será concedido por instituições financeiras
Os financiamentos não serão realizados diretamente pelo governo federal.
As operações serão conduzidas por bancos públicos, bancos de desenvolvimento e demais instituições financeiras oficiais credenciadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública responsável pelo incentivo à inovação no país.
Na prática, os produtores interessados deverão procurar uma dessas instituições para solicitar o crédito.
A Finep também será responsável por divulgar a relação dos equipamentos e projetos que poderão ser financiados.
Tecnologias contempladas
A linha de crédito foi criada para incentivar investimentos em tecnologias desenvolvidas no Brasil voltadas ao aumento da eficiência da produção rural.
Entre os itens que poderão receber financiamento estão:
agricultura de precisão;
máquinas e equipamentos automatizados;
conectividade no campo;
digitalização da produção agrícola;
tecnologias para uso mais eficiente de fertilizantes, defensivos e água;
sistemas de rastreabilidade da produção agropecuária.
De acordo com o governo federal, a expectativa é ampliar a produtividade das propriedades rurais, reduzir desperdícios e fortalecer práticas mais sustentáveis no campo.
Condições do financiamento
Os contratos terão prazo de até cinco anos para pagamento, sem período de carência. As parcelas serão anuais.
A taxa de juros será composta pela Taxa Referencial (TR), acrescida de remuneração de 3% ao ano destinada à Finep e de até 4% ao ano para a instituição financeira responsável pela operação.
Na prática, os encargos poderão alcançar aproximadamente 7,12% ao ano, conforme a instituição que conceder o financiamento.
O risco de inadimplência ficará integralmente sob responsabilidade do banco que realizar a operação.
Recursos vêm do FNDCT
Os R$ 10 bilhões utilizados na linha de crédito serão financiados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento do governo federal para apoiar projetos de ciência, tecnologia e inovação.
Segundo o governo, os valores são provenientes do superávit financeiro da União, formado por excedentes de fundos públicos, sem impacto direto sobre o Orçamento federal.
Linha entra em vigor
Com a publicação da resolução, a regulamentação passa a valer imediatamente, permitindo que as instituições financeiras credenciadas pela Finep iniciem as operações de crédito.
O Conselho Monetário Nacional é responsável por definir as diretrizes das políticas monetária, cambial e de crédito do país e é formado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que preside o colegiado, pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Matérias relacionadas
Frango e suíno ampliam exportações, mas mercado interno impõe desafios diferentes ao Paraná
Universidades ajudam a colocar Paraná na liderança nacional da produção orgânica
Prévia do PIB confirma retração do agro enquanto setor enfrenta entraves na renegociação de dívidas
Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.