Lideranças cobram soluções urgentes para gargalos em infraestrutura e energia durante 38º Show Rural
Rodovias com pedágios elevados, entraves ferroviários e falhas no fornecimento de energia pressionam o setor produtivo e exigem respostas do poder público
Rodovias, ferrovias e, principalmente, o fornecimento de energia elétrica estiveram no centro das discussões sobre os desafios para sustentar o crescimento do Oeste do Paraná e de todo o Estado, durante reunião realizada no Show Rural Coopavel, em Cascavel.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) promoveu, na última terça-feira (10), um encontro estratégico com lideranças empresariais e representantes de entidades do Oeste e de outras regiões para debater os principais gargalos da infraestrutura logística e energética que impactam o setor produtivo. A reunião integrou a programação do evento e teve como foco a competitividade e a sustentação do crescimento econômico regional.
O presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos, reforçou a necessidade de mobilização das entidades representativas e destacou o papel do diálogo institucional e da articulação regional na busca por soluções estruturantes. Foram apresentados panoramas atualizados sobre concessões rodoviárias, o modal ferroviário e o fornecimento de energia, temas considerados centrais para a indústria, o agronegócio e as cooperativas.
Vasconcelos ressaltou o acompanhamento técnico das concessões rodoviárias e os impactos diretos para os usuários e para a economia estadual. “O Observatório dos Pedágios completou um ano e mostramos o acompanhamento que temos feito, inclusive dos aditivos contratuais, além da mobilização iniciada na região contra a outorga onerosa e o limite de desconto”, afirmou. “Sempre alertamos que isso traria prejuízo direto ao usuário, à região e ao Estado. Esse impacto foi estimado em R$ 9,5 bilhões.”
Ele também manifestou preocupação com as tarifas praticadas na região e defendeu maior participação do poder público na busca por alternativas que reduzam os custos. “Precisamos que os governos participem desse debate e subsidiem obras que permitam reduzir os valores das tarifas, já que há um custo até 70% maior do que em outras regiões”, disse.
As lideranças destacaram ainda a necessidade de monitoramento permanente do cronograma de execução das obras previstas nos contratos de concessão.
Ferrovias
O modal ferroviário foi apontado como estratégico para o escoamento da produção regional. Vasconcelos destacou a importância do processo licitatório da Malha Sul, previsto para dezembro, com audiências públicas nos próximos meses, etapa que pode influenciar diretamente o futuro da Ferroeste, que atualmente liga Cascavel a Guarapuava.“No modal ferroviário, há uma licitação em andamento que envolve o Paraná e é extremamente importante para a nossa região, pois pode destravar a solução da Ferroeste”, afirmou.
Energia
A matriz energética ocupou espaço relevante no debate. Apesar de o Paraná se destacar como produtor de energia, Vasconcelos alertou para gargalos na transmissão e na distribuição, que já impactam o ritmo de crescimento regional.
“O Paraná é um dos maiores produtores de energia sustentável do mundo, mas isso não significa que ela esteja chegando ao usuário de forma adequada. Temos deficiência em infraestrutura energética, especialmente em transmissão e distribuição”, pontuou.
Durante o encontro, foi informado que a Fiep e outras federações do setor produtivo articularam, junto à Copel e ao governo do Estado, a criação de um grupo técnico para alinhar investimentos de curto e médio prazos. “Firmamos um acordo para mapear demandas e alinhar investimentos prioritários”, explicou.
Ele reforçou que a infraestrutura energética não pode ser um entrave ao desenvolvimento. “Quando alguém pensar em investir no Brasil, o Paraná precisa ser referência. O fator energético não pode ser impeditivo”, declarou.
Mobilização regional
Para a Fiep, a mobilização das entidades é fundamental para avançar em soluções concretas. O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, destacou o papel da entidade no debate sobre logística. “É importante trazer essa discussão para quem vive a realidade do transporte e da produção. Precisamos de fiscalização, união e ações concretas”, afirmou.
O presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Alci Rotta Junior, ressaltou que infraestrutura e energia são pilares estratégicos. “Estamos distantes dos grandes centros e dos portos. Qualquer avanço nessas áreas representa ganho de competitividade”, disse.
Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi), Danilo Vendruscolo, destacou os prejuízos causados por falhas no fornecimento de energia. “Levamos informações sobre o custo logístico e os prejuízos decorrentes da falta de rede trifásica, subestações e das quedas de energia. Com dados concretos, podemos cobrar respostas do poder público”, afirmou.
O encontro também contou com a presença dos presidentes da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette; da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken; e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Flávio Furlan.
Meneguette alertou para os impactos diretos no campo. “Muitos produtores dependem da energia para atividades como piscicultura, suinocultura, avicultura e produção de leite. Quando não há religamento rápido, as perdas são significativas”, disse.
Ricken reforçou a importância da logística para o desenvolvimento. “Temos capacidade de produzir e atender à demanda. Precisamos de uma infraestrutura compatível com o potencial do Paraná”, afirmou.
Para Furlan, a mobilização demonstra o compromisso do setor produtivo com o desenvolvimento regional. “Nossa região cresce acima do ritmo dos investimentos em energia. Precisamos priorizar soluções para garantir crescimento sustentável”, concluiu.
Foto: Assessoria
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