Preço do feijão carioca cai quase 12% com avanço da colheita; veja o cenário do mercado
Indicador Cepea/CNA mostra queda de 11,68% no preço do feijão carioca em julho, enquanto o feijão-preto manteve estabilidade diante da expectativa de menor oferta no mercado
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O mercado brasileiro de feijão registrou comportamentos distintos entre as principais variedades ao longo de julho. Enquanto o aumento da oferta da terceira safra pressionou os preços do feijão carioca, o feijão-preto apresentou maior estabilidade, sustentado pela expectativa de menor disponibilidade do produto. Os dados são do Indicador de Preços Cepea/CNA.
Colheita amplia oferta e reduz preços do feijão carioca
No segmento do feijão carioca de melhor qualidade, classificado como peneira 12 e nota 9 ou superior, a intensificação da colheita da terceira safra, principalmente nas áreas irrigadas do Cerrado, ampliou a oferta disponível no mercado.
Com a entrada contínua de novos lotes, os vendedores perderam poder de negociação, enquanto compradores adotaram postura cautelosa, realizando aquisições apenas para reposição de estoques e aguardando maior disponibilidade do produto.
Como resultado, o preço médio do feijão carioca de melhor qualidade caiu 11,68% em julho na comparação com junho. Apesar da retração mensal, os valores permanecem 61,4% acima dos registrados no mesmo período de 2025.
Segundo o Cepea/CNA, a tendência para o curto prazo é de continuidade da pressão sobre os preços, condicionada ao avanço da colheita e ao comportamento da demanda.
Feijão de qualidade intermediária também registra queda
Os lotes de feijão carioca classificados com notas 8 e 8,5 seguiram a mesma tendência de baixa observada nos grãos de qualidade superior.
A maior oferta disponível e a cautela dos compradores reduziram o ritmo das negociações, enquanto as indústrias intensificaram a seletividade na compra dos lotes.
Em julho, os preços médios dessa categoria recuaram 9,74% em relação ao mês anterior, mas ainda permanecem 72,1% acima dos valores registrados em julho de 2025.
Entre as principais praças acompanhadas pelo indicador, Belo Horizonte (MG) foi a única a registrar valorização na última semana do mês, impulsionada pela maior procura por lotes classificados com coloração 8,5.
Feijão-preto mantém estabilidade
Diferentemente do mercado do carioca, o feijão-preto tipo 1 apresentou comportamento mais estável durante julho.
Embora a demanda tenha permanecido moderada, a expectativa de menor oferta nacional limitou quedas mais expressivas nas cotações.
O preço médio da variedade registrou recuo de apenas 0,64% em relação a junho e segue 63,2% acima do patamar observado em julho do ano passado.
Produção menor no Paraná influencia mercado
A perspectiva de oferta mais restrita é reforçada pelas estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A projeção indica que a produção paranaense de feijão na safra 2025/2026 deve alcançar aproximadamente 518 mil toneladas, volume 41,4% inferior ao registrado na temporada anterior.
No mercado internacional, a colheita na Argentina continua avançando. No entanto, o excesso de umidade ainda dificulta a secagem dos grãos e reduz o ritmo dos trabalhos de campo, cenário que também segue sendo acompanhado pelo setor.
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