Tarifaço dos EUA ameaça exportações do agro paranaense
Medida começa a valer na sexta-feira, 1º de agosto, e pode impactar até US$ 1,5 bilhão em vendas do Paraná para o mercado norte-americano
O agronegócio do Paraná pode ser duramente afetado pelas novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto. A medida ameaça até US$ 1,5 bilhão em exportações paranaenses, com destaque para os setores florestal, de café, piscicultura, carne bovina e suco de laranja — produtos que, juntos, representam parte significativa da pauta de exportação estadual para os EUA.
Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações agropecuárias do Paraná, somando US$ 1,58 bilhão em vendas. Com a taxação, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) expressa preocupação com a falta de ação do governo federal para reverter a decisão norte-americana. O presidente interino da Faep, Ágide Meneguette, cobrou maior empenho diplomático para proteger o setor rural, lembrando que as exportações sustentam milhares de empregos diretos e indiretos.
O setor mais ameaçado é o florestal. Apenas neste ano, o Paraná exportou US$ 681 milhões em produtos como madeira e papel para os Estados Unidos — cerca de 60% do total nacional. Com a iminência das tarifas, o segmento já sente os efeitos: contratos foram cancelados, embarques suspensos, contêineres retidos nos portos, além de anúncios de férias coletivas e demissões em algumas fábricas.
Outro setor vulnerável é o da piscicultura, principalmente a tilápia. Cerca de 89% de toda a tilápia exportada pelo Brasil vai para os EUA, sendo o Paraná um dos principais produtores. A cadeia do café também está na lista, especialmente o café solúvel e os cafés especiais, que vêm ganhando mercado internacional. Já o suco de laranja — produto no qual os Estados Unidos respondem por 41,7% das exportações brasileiras — pode ter sua competitividade reduzida.
A carne bovina, embora tenha menos dependência do mercado americano no Paraná, também pode sofrer reflexos, principalmente no segmento de couro, bastante exportado para os EUA. O impacto pode atingir empregos e renda em diversas cidades paranaenses que têm sua economia vinculada a esses setores.
O setor produtivo alerta para o risco de um efeito dominó: a imposição das tarifas pode gerar excedente de produção, aumento da oferta no mercado interno e queda nos preços pagos ao produtor. A Faep afirma que o governo brasileiro precisa atuar de forma mais estratégica, buscando diálogo com os EUA para tentar reverter ou minimizar os impactos da medida.
Texto e foto: Faep
Matérias relacionadas
Frango e suíno ampliam exportações, mas mercado interno impõe desafios diferentes ao Paraná
Universidades ajudam a colocar Paraná na liderança nacional da produção orgânica
Prévia do PIB confirma retração do agro enquanto setor enfrenta entraves na renegociação de dívidas
Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.