Veto europeu a carnes brasileiras ameaça exportações do Paraná
Novas regras sanitárias da União Europeia entram em vigor nesta quinta-feira (3) e atingem produtos de origem animal que movimentaram US$ 234,97 milhões nas exportações do Paraná em 2025
A União Europeia mantém para esta quinta-feira (3) o início da suspensão das importações de carnes e outros produtos de origem animal brasileiros. A medida ocorre após meses de negociações entre Brasil e autoridades europeias e coloca pressão sobre uma cadeia importante para a economia do Paraná.
A decisão europeia foi formalizada entre maio e junho, mas a aplicação das novas regras foi marcada para 3 de setembro. A principal justificativa está relacionada às exigências sobre o controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal, além da necessidade de comprovar rastreabilidade e cumprimento das normas sanitárias.
Pelas regras europeias, países de fora do bloco precisam estar autorizados a exportar produtos de origem animal e demonstrar que cumprem os requisitos sanitários estabelecidos. A partir desta quinta-feira, entram em vigor as novas condições relacionadas ao uso de antimicrobianos.
O governo brasileiro tentou reverter a decisão por meio de informações técnicas e negociações com as autoridades europeias. Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que as conversas continuavam e que documentos haviam sido enviados aos representantes europeus.
Paraná tem milhões de dólares em produtos atingidos
A situação preocupa especialmente o Paraná por causa do peso da cadeia de proteínas nas exportações do Estado.
Em 2025, o Paraná vendeu US$ 2,46 bilhões para a União Europeia, valor equivalente a 10,4% de todas as exportações paranaenses. Somente a carne de frango in natura representou US$ 187 milhões desse total.
O impacto, porém, não se limita ao frango. Um levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) apontou que os produtos paranaenses incluídos nas restrições europeias movimentaram US$ 234,97 milhões em exportações em 2025.
Desse montante, US$ 224,53 milhões foram referentes a carnes de aves.
A restrição atinge uma cadeia que tem forte presença no Paraná, principalmente na região Oeste. A produção envolve produtores rurais, frigoríficos, cooperativas, transportadores, fornecedores e trabalhadores.
Mercado europeu tem peso para produtos de maior valor
Outro fator que preocupa o setor é a importância do mercado europeu para produtos de maior valor agregado.
A União Europeia não é apenas mais um destino para as exportações brasileiras. O bloco representa um mercado relevante para proteínas, o que dificulta a substituição imediata das vendas por outros países.
Uma mudança desse fluxo pode afetar preços, margens de lucro e custos de logística, principalmente se os exportadores precisarem redirecionar rapidamente os produtos para outros mercados.
A pauta de exportações do Paraná para a União Europeia mostra a importância dessa relação comercial. Em 2025, o farelo de soja liderou as vendas, com US$ 950 milhões, seguido pela madeira compensada, com US$ 203 milhões, e pela carne de frango in natura, com US$ 187 milhões.
Por isso, o veto não representa uma suspensão de todas as exportações paranaenses para a Europa. As restrições estão concentradas nos produtos de origem animal abrangidos pelas novas regras.
O Paraná mantém uma pauta diversificada no mercado europeu, com produtos agroindustriais e industriais.
Governo brasileiro tenta evitar impacto comercial
Para o setor produtivo, o principal problema neste momento é o prazo. Com a entrada das novas regras em vigor nesta quinta-feira, a permanência do Brasil fora da lista europeia de países autorizados dificulta a continuidade dos embarques dos produtos atingidos.
A legislação europeia estabelece regras específicas para certificação e transição dos produtos de origem animal. A autorização para exportação depende do cumprimento das exigências estabelecidas pelo bloco.
A situação também aumenta a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A União Europeia exige comprovação documental e rastreabilidade sobre o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos.
O bloco afirma que as exigências fazem parte da política de combate à resistência antimicrobiana, considerada uma ameaça à saúde pública.
O Brasil, por sua vez, busca demonstrar que seu sistema de controle sanitário atende aos requisitos exigidos pelos europeus.
Restrição pode afetar municípios e trabalhadores
No Paraná, o possível impacto vai além do valor das exportações.
Uma redução ou interrupção dos embarques de proteínas para a União Europeia pode atingir frigoríficos, cooperativas, trabalhadores, transportadores e municípios que dependem da atividade agropecuária.
A avicultura tem papel importante principalmente no Oeste do Estado, onde a produção está integrada a uma extensa cadeia de fornecedores e empresas ligadas ao processamento e à comercialização de carnes.
Por isso, o setor acompanha de perto as negociações entre Brasil e União Europeia.
Prazo para uma solução está próximo
Nesta terça-feira (1º), faltam dois dias para a entrada em vigor das novas regras europeias. Os números mostram o tamanho do mercado em disputa para o Paraná.
Em 2025, o Estado exportou US$ 234,97 milhões em produtos incluídos na restrição, sendo US$ 224,53 milhões em carnes de aves.
A questão, portanto, deixou de ser apenas a existência do veto europeu, que já foi formalizado. O ponto agora é saber se Brasil e União Europeia conseguirão chegar a uma solução sanitária antes que as novas regras provoquem impactos comerciais sobre uma das principais cadeias produtivas do Paraná.
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