Homicídios dolosos caem 31% nos primeiros oito meses do ano
O levantamento mostra também que o Paraná registrou 24 casos de latrocínio (roubo seguido de morte), ante 30 em 2024, uma queda de 13,3%
Os números da violência no Paraná registraram nova queda neste ano. De acordo com levantamento divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (Sesp), o estado reduziu em 31,3% o número de homicídios dolosos nos primeiros oito meses de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 764 ocorrências contra 1.112 entre janeiro e agosto de 2024 que, até então, representavam o menor índice da série histórica.
A queda se estende a outros indicadores criminais. Os casos de roubo caíram 17,6%, passando de 12.358 para 10.175 registros. Já o número de roubos de veículos teve redução de 27,2%, com 1.072 ocorrências em 2025 frente a 1.473 no mesmo período do ano anterior. O levantamento mostra também que o Paraná registrou 24 casos de latrocínio (roubo seguido de morte), ante 30 em 2024, uma queda de 13,3%. Os registros de estupro diminuíram 17,6%, de 5.058 para 4.167.
A Sesp atribui os resultados à integração entre os setores de inteligência, o policiamento ostensivo e o avanço tecnológico das forças policiais. O Governo do Estado tem destacado investimentos recentes na área, incluindo a entrega de novos equipamentos e veículos. Em setembro, por exemplo, foram repassados cinco helicópteros, fuzis e viaturas Dodge Ram, em um aporte de R$ 116 milhões.
“Reduzir os homicídios e garantir mais segurança à população é resultado de planejamento, integração e da aplicação correta de recursos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira. Segundo ele, o desempenho positivo reforça o papel das forças policiais e das estratégias de monitoramento e investigação adotadas nos últimos anos.
O aumento nas apreensões de drogas também aparece no balanço. Entre janeiro e agosto, as forças de segurança retiraram de circulação 400,5 toneladas de maconha, volume 24,9% maior do que o registrado no mesmo período de 2024. A apreensão de comprimidos de ecstasy mais que dobrou: de 39,4 mil unidades para 84,5 mil neste ano.
Apesar do tom positivo do balanço, a secretaria reforça que o desafio continua sendo a manutenção da tendência de queda e a ampliação das estratégias de prevenção. Em várias regiões do estado, como na fronteira oeste e na Região Metropolitana de Curitiba, a criminalidade ainda se mantém acima da média estadual em algumas categorias.
Esclarecimento de homicídios
O Paraná obteve o melhor desempenho entre os estados do Sul e Sudeste no esclarecimento de homicídios, segundo o relatório “Onde Mora a Impunidade”, divulgado pelo Instituto Sou da Paz. A pesquisa, baseada em dados de 2023, indica que 72% dos homicídios ocorridos no estado foram solucionados, um avanço de 12 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, que apontava 60%. A média nacional é de 36%.
Os dados, obtidos junto aos Ministérios Públicos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que o Paraná está entre as três unidades da federação com melhor desempenho no país, atrás apenas do Distrito Federal e de Rondônia. Em 2018, o índice de elucidação era de apenas 12%, e desde então o estado vem registrando crescimento contínuo.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) aponta índices ainda mais altos em seu levantamento interno: 84% dos homicídios foram esclarecidos em 2023 e 97% em 2024, considerando inquéritos concluídos com autoria identificada. O cálculo segue metodologia inspirada no Uniform Crime Reporting (UCR), do FBI, padrão internacional para análise de estatísticas criminais.
“Nosso trabalho de integração entre as polícias e uso de tecnologia tem mostrado resultados sólidos. Chegamos aos menores índices de homicídios e aos melhores indicadores de elucidação da história recente”, afirmou o secretário Hudson Leôncio Teixeira.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, os avanços são resultado de investimentos iniciados em 2019, com um plano estratégico voltado à modernização da corporação. Entre as medidas adotadas estão a capacitação técnica, a criação da Polícia Penal e a retirada dos presos das delegacias, além da convocação de novos quadros.
“A atual gestão tem investido em estrutura e equipamentos modernos para garantir resultados mais rápidos e eficientes. Isso reforça o compromisso com a segurança pública e valoriza o trabalho de investigação”, destacou Rockembach.
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