Relator limita alcance do PL da Dosimetria aos condenados do 8 de Janeiro
Parecer apresentado na CCJ do Senado incorpora emenda que impede aplicação do projeto a outros crimes
O senador Esperidião Amin (PP-SC) apresentou na manhã desta quarta-feira (17) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o parecer sobre o Projeto de Lei nº 2.162/2023, conhecido como PL da Dosimetria. O relatório é favorável ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, mas restringe a aplicação da proposta exclusivamente aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Amin acolheu uma emenda apresentada pelo senador Sérgio Moro (União-PR), que deixa explícito que as mudanças previstas no projeto não se estendem a outros tipos de crimes, como corrupção, crimes ambientais, exploração sexual ou delitos cometidos com violência grave. Segundo o relator, o objetivo é eliminar dúvidas sobre o alcance da proposta.
“O intuito da emenda é afastar qualquer interpretação que amplie o escopo do projeto, deixando claro que ele se aplica apenas aos fatos relacionados ao dia 8 de janeiro de 2023”, afirmou Amin em seu parecer.
O PL da Dosimetria altera dispositivos do Código Penal e da Lei de Execução Penal, modificando critérios de cálculo de penas em casos de concurso de crimes e regras de progressão de regime. No Senado, o texto vinha enfrentando resistência justamente pelo receio de que pudesse beneficiar condenados por crimes alheios aos atos golpistas, a partir da redação aprovada na Câmara.
O relator afirmou que as alterações sugeridas têm caráter estritamente redacional e não alteram o mérito da proposta. Com isso, segundo Amin, o projeto não precisaria retornar à Câmara dos Deputados, o que permitiria o envio direto para sanção presidencial.
“O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que emendas da Casa Revisora que apenas esclarecem o texto aprovado pela Casa Iniciadora não configuram mudança de mérito”, destacou o senador.
Apesar disso, não há consenso sobre o projeto. Os senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentaram voto em separado, defendendo a rejeição do parecer.
A leitura e votação do relatório na CCJ estão previstas ainda para esta quarta-feira (17). Antes mesmo da deliberação na comissão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já incluiu o PL 2.162/2023 na pauta do plenário, para apreciação na tarde do mesmo dia.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.