STJ reforça impenhorabilidade de bem de família
1ª Turma anula decisão do TJRS e garante análise sobre proteção de imóvel em inventário
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da 1ª Turma, decidiu anular um acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e reafirmou o entendimento de que a impenhorabilidade de um imóvel qualificado como bem de família deve ser assegurada, mesmo quando este se encontra em processo de inventário.
O TJRS havia decidido que o apartamento em questão, por integrar o espólio, deveria ser destinado prioritariamente à quitação das dívidas do falecido. Somente após esse procedimento, os herdeiros poderiam receber a propriedade e, então, invocar a proteção legal de impenhorabilidade.
O imóvel era residência de uma das herdeiras, responsável pelos cuidados dos pais. Após o falecimento deles, em execução fiscal movida pela Fazenda do Estado, o inventariante solicitou o reconhecimento do direito real de habitação da filha e a impenhorabilidade do bem. O pleito, no entanto, foi rejeitado pelas instâncias inferiores.
Em decisão monocrática, o ministro Benedito Gonçalves, relator do recurso no STJ, determinou a anulação do acórdão e o rejulgamento da questão pelo TJRS, especificamente para avaliar a caracterização do imóvel como bem de família e, assim, definir sua impenhorabilidade. A decisão foi confirmada pelo colegiado.
Segundo o relator, a jurisprudência do STJ é clara ao estabelecer que o imóvel qualificado como bem de família não pode ser penhorado, independentemente de sua inclusão em inventário. Ele destacou ainda que o tribunal estadual deixou de examinar provas relevantes sobre essa condição.
Com a decisão, o processo retorna ao TJRS para novo julgamento, em consonância com os precedentes do STJ que protegem o direito à moradia e a função social da propriedade.
Com informações do Migalhas
Matérias relacionadas
Seis em cada dez flagrantes por drogas terminam em prisão preventiva no Brasil
STJ enquadra comando oculto para manipular inteligência artificial como litigância de má-fé
Namorado de estudante encontrada morta em condomínio é preso no Ceará
MPT processa Rico Melquíades por assédio eleitoral e pede R$ 5 milhões
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.