Caso Orelha: adolescentes investigados por morte de cão já são suspeitos de maus-tratos a outro animal
Polícia Civil apura tentativa de afogamento de outro cachorro na Praia Brava e investiga coação de testemunha durante o inquérito
O caso do cão comunitário "Orelha", que morreu após sofrer maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis - SC, ganhou novos desdobramentos e segue repercutindo em todo o país. As investigações da Polícia Civil de Santa Catarina apontam que os adolescentes suspeitos de envolvimento na morte do animal também teriam praticado maus-tratos contra outro cachorro da região.
Segundo a polícia, o segundo caso envolve um cão conhecido como Caramelo, que costumava circular junto com Orelha pela Praia Brava. Conforme informações, o animal teria sido levado ao mar no colo por um adolescente, em uma tentativa de afogamento. Caramelo conseguiu escapar da ação e, posteriormente, foi adotado.
A Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de participação nas agressões que culminaram na morte de Orelha. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos investigados e de seus responsáveis legais. Dois dos adolescentes permanecem em Florianópolis, enquanto outros dois estão no exterior, em viagem previamente programada.
Polícia apura agressão que levou à morte do cão Orelha em Florianópolis
A operação policial, realizada no âmbito do inquérito, cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Além da morte de Orelha, os investigadores apuram formalmente o segundo episódio de maus-tratos envolvendo o cão Caramelo.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil em 16 de janeiro, após relatos de moradores sobre o desaparecimento de Orelha. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam do animal o encontrou caído e agonizando durante uma caminhada. O cão foi socorrido e encaminhado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade dos ferimentos, foi necessária a realização de eutanásia.
As apurações tiveram início após denúncia de que um grupo de adolescentes seria responsável pelas agressões. Caso a autoria por menores de idade seja confirmada, o relatório final será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.
Apuração de coação
Além dos crimes de maus-tratos, a investigação também apura a possível prática de coação no curso do processo. Há suspeita de envolvimento de um pai e de um policial civil na tentativa de intimidação de uma testemunha.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, um dos mandados teve como objetivo localizar uma arma de fogo que teria sido utilizada para ameaçar a testemunha. O objeto não foi encontrado. Também foram realizadas buscas para apreensão de equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores.
“Até agora, dois adolescentes foram alvo de busca, e outros dois estão nos Estados Unidos para uma viagem que, segundo consta, era pré-programada. Há indícios de que quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra o cão e de que três adultos estejam envolvidos em uma coação decorrente da investigação”, afirmou o delegado à imprensa catarinense.
Comoção e manifestações
O caso gerou forte comoção nas redes sociais e mobilizou moradores, ONGs e associações, que passaram a cobrar justiça pela morte de Orelha. O cão era cuidado de forma comunitária havia cerca de dez anos.
Em nota, a Associação dos Moradores da Praia Brava destacou que Orelha fazia parte do cotidiano do bairro e se tornou um símbolo da convivência e do cuidado coletivo com os animais e o espaço público.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também se manifestou. Ele afirmou ter determinado investigação imediata após tomar conhecimento do caso e ressaltou que a Polícia Civil reuniu provas e solicitou os mandados judiciais poucos dias após o início das apurações. Segundo o governador, as provas já constam no processo, que segue em andamento.
Quem era Orelha
A Praia Brava conta com três casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles. Segundo o aposentado Mário Rogério Prestes, responsável por alimentar os animais diariamente, o cão recebia cuidados constantes da comunidade e fazia parte da rotina do bairro.
Foto: Divulgação
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