OAB identifica mais de 300 números usados por golpistas em Cascavel
Programação pelo Dia da Advocacia Previdenciária ampliou parcerias e abriu novos canais de combate ao crime na região
A mobilização contra o chamado golpe do falso advogado marcou a agenda da OAB Cascavel (Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de Cascavel) nesta terça-feira (10). Ao longo do dia, representantes da diretoria da entidade e da Comissão de Direito Previdenciário, realizaram reuniões com autoridades policiais e municipais e apresentaram um levantamento sobre a atuação de golpistas na cidade. A programação contou com a presença do advogado Leandro Pereira, coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado da OAB Paraná.
“Precisamos tratar o tema como uma escalada, pois o número de denúncias que recebemos é gritante”, pontuou o especialista, durante palestra no auditório da Subseção.
O golpe se fortalece com o uso indevido de dados de processos, a manipulação de voz e imagem com ferramentas tecnológicas e a facilidade de contato com as vítimas por aplicativos de mensagem.
No Paraná, apesar do aumento nos registros após a campanha de orientação da Seccional da OAB e da redução nos casos em que o golpe se concretiza com prejuízo financeiro, o trabalho de enfrentamento precisa ser constante. Segundo Pereira, eliminar completamente esse tipo de crime é um desafio, mas é possível reduzir significativamente os prejuízos com ações coordenadas.
“É como ocorre com o golpe do bilhete premiado, que existe há décadas e ainda faz vítimas, mesmo parecendo óbvio. Com o avanço da tecnologia e das ferramentas de comunicação, esses crimes se reinventam o tempo todo. Os criminosos acompanham esse movimento e se adaptam rapidamente”, reforçou.
Mais de 300 números falsos
Pela manhã, o doutor Pereira acompanhou integrantes da Comissão de Direito Previdenciário em reunião com o delegado Bruno Amaral, da Delegacia de Estelionatos. Na ocasião, foi entregue à autoridade policial um dossiê elaborado pela comissão, que reúne denúncias feitas por advogados previdenciários da cidade.
O levantamento identificou mais de 300 números de telefone utilizados por golpistas em abordagens contra clientes e escritórios de advocacia.
Segundo a presidente da Comissão, a advogada Juliana Peixoto, os dados foram coletados entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, inicialmente com foco na área previdenciária.
“Percebemos que muitas denúncias não estavam chegando à autoridade policial. Havia dificuldade tanto para advogados quanto para clientes registrarem o boletim de ocorrência”, explicou.
Uma enquete realizada entre advogados previdenciários da cidade mostra que mais de 40 profissionais já tiveram clientes vítimas do golpe. O número, estima-se, é ainda maior, uma vez que muitos casos não são formalizados.
Canal direto com a Polícia
Na reunião foi estabelecido um canal de cooperação entre a OAB Cascavel e a Delegacia de Estelionatos para facilitar o envio de informações e contribuir com as investigações. A iniciativa, segundo a secretária-geral da Subseção, advogada Eliane Deola da Fonseca, permitirá que denúncias recebidas pela entidade sejam encaminhadas diretamente às autoridades policiais, ampliando o monitoramento das tentativas de fraude.
“A informação ainda é a principal ferramenta para evitar que novas vítimas sejam feitas”, pontuou.
Parceria com a prefeitura
A comissão também esteve com o secretário municipal de Saúde de Cascavel, Ali Haidar, que sinalizou apoio à divulgação de materiais informativos em unidades de saúde. A proposta é levar orientações para postos de saúde, UPAs e hospitais, ampliando o alcance das campanhas de prevenção.
Mais tarde, o grupo esteve na Secretaria de Comunicação da Prefeitura, para discutir estratégias de divulgação do alerta à população. A expectativa da OAB Cascavel é que a ampliação das campanhas de orientação e o fortalecimento do diálogo com as autoridades ajudem a reduzir novas vítimas desse tipo de fraude.
Combate passa por informação e investigação
O golpe geralmente ocorre quando criminosos entram em contato com clientes se passando por advogados ou integrantes de escritórios, solicitando valores para liberação de supostos alvarás ou custas processuais. Hoje, a maior incidência está na área cível, seguida pelas áreas previdenciária e trabalhista.
Para enfrentar o problema, a OAB Paraná estruturou uma atuação baseada em quatro frentes principais: orientação da sociedade, acompanhamento das investigações, diálogo com tribunais para ampliar a segurança de dados e apoio à advocacia.
“A principal estratégia é informação. Quando o cidadão recebe uma mensagem de número desconhecido solicitando pagamento, a primeira atitude deve ser entrar em contato com o advogado ou escritório responsável pelo processo antes de realizar qualquer transferência”, finalizou Leandro Pereira.
Foto: Divulgação
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