Operação Rescaldo: Denarc bloqueia quase R$ 2 milhões em bens de grupo suspeito de movimentar R$ 9,2 milhões em Foz do Iguaçu
Investigação aponta uso de distribuidora de bebidas como fachada, monitoramento da polícia por câmeras e lavagem de dinheiro do tráfico por meio de imóveis subfaturados e pessoas usadas como laranjas
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A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), núcleo de Foz do Iguaçu, deflagrou nesta sexta-feira (14) a Operação Rescaldo, contra uma associação criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro na região do Bairro Vila C, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.
A ação contou com o apoio do Núcleo de Operações com Cães (NOC) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ao todo, a Justiça autorizou 20 medidas judiciais: três mandados de busca e apreensão, 11 de sequestro de bens móveis e imóveis, três bloqueios de contas bancárias e três mandados de prisão.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam R$ 134.486,45 em dinheiro, 207 gramas de joias douradas, seis veículos, 23 porções de haxixe prontas para venda, que totalizaram 24 gramas, além de uma balança de precisão e nove celulares.
Quatro pessoas, sendo dois homens e duas mulheres, foram presas nesta sexta-feira. Os investigados foram encaminhados ao sistema prisional de Foz do Iguaçu e permanecem à disposição da Justiça.
Churrasqueira era usada para destruir provas
O nome da operação faz referência à estratégia utilizada pelo grupo para tentar eliminar provas do tráfico. Segundo a investigação, a associação criminosa mantinha um sistema de câmeras de segurança conectado aos celulares dos líderes e utilizava grupos de mensagens para alertar sobre a aproximação de viaturas policiais.
Quando havia aviso de uma possível abordagem, os integrantes iniciavam um protocolo de ocultação das drogas. Tabletes de crack e cocaína eram jogados em uma churrasqueira mantida propositalmente acesa em uma distribuidora de bebidas que, segundo a polícia, funcionava como empresa de fachada.
Nesta sexta-feira, durante o cumprimento de um dos mandados, uma das investigadas teria percebido a chegada dos policiais, corrido para os fundos do imóvel e arremessado três celulares e pacotes de entorpecentes em uma churrasqueira acesa.
Os agentes conseguiram recuperar o material ainda em chamas, que foi encaminhado para perícia.
A estratégia já havia sido identificada na primeira fase da investigação, realizada em 20 de março deste ano. Na ocasião, policiais conseguiram recuperar das cinzas e das brasas pequenas quantidades de crack parcialmente queimadas. A substância foi posteriormente confirmada por laudo definitivo da Polícia Científica.
Grupo movimentou mais de R$ 9 milhões
As investigações financeiras realizadas pela Denarc apontaram que o casal apontado como liderança do grupo movimentou conjuntamente mais de R$ 9,2 milhões em contas bancárias entre 2021 e 2026.
De acordo com a polícia, os investigados não apresentavam fonte de renda lícita compatível com os valores movimentados. O dinheiro obtido com o tráfico teria sido reinserido na economia formal por meio da aquisição de imóveis e veículos.
Uma das estratégias identificadas foi o subfaturamento de escrituras públicas de compra e venda de imóveis. Entre os bens sequestrados estão propriedades que, segundo a investigação, foram adquiridas em dinheiro e sem comprovação de origem lícita.
Um terreno comercial localizado no bairro Cidade Nova, avaliado em aproximadamente R$ 220 mil, teria sido registrado por apenas R$ 58,80. Um sobrado avaliado em R$ 400 mil foi declarado originalmente por R$ 1.188,95.
Também foram sequestrados um lote no Jardim Baifus, registrado por R$ 52.921,97, quitinetes no Cidade Nova com registro de R$ 41.360 e outras duas residências que teriam sido escrituradas por valores abaixo dos preços de mercado.
Ao todo, quase R$ 2 milhões em bens móveis e imóveis foram atingidos pelas medidas judiciais. Quatro veículos também foram sequestrados por suspeita de terem sido adquiridos com recursos provenientes de atividades ilícitas.
As contas bancárias dos investigados foram bloqueadas, e os valores eventualmente encontrados ainda serão apurados.
Descapitalização do grupo
Para o delegado de Polícia Rodrigo Colombelli, a operação teve como um dos principais objetivos atingir financeiramente a organização criminosa.
“A ação é resultado de um trabalho investigativo focado em descapitalizar as organizações na região de fronteira, retirando quase dois milhões de reais em patrimônio de circulação e dando encaminhamento aos responsáveis à Justiça”, afirmou.
Segundo a PCPR, os imóveis e veículos sequestrados ficarão sob custódia do Estado e poderão ser submetidos posteriormente à alienação judicial. Os valores obtidos poderão ser destinados às forças de segurança pública do Paraná, conforme determinação judicial.
A investigação continua para esclarecer a participação de outros envolvidos, a origem dos recursos movimentados e a extensão da estrutura utilizada pelo grupo para o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro.
Foto: Divulgação
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