Padre Genivaldo: julgamento de recurso do MP-PR é marcado para 2 de março
Ministério Público tenta manter competência de juizado especializado de Cascavel para julgar crimes sexuais atribuídos ao religioso
O Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) terá seu recurso em sentido estrito julgado no próximo dia 2 de março pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR). A iniciativa busca reverter decisão que declarou a incompetência do 1º Juizado de Violência Doméstica, Crimes contra Crianças, Adolescentes, Idosos e Crimes Sexuais da Comarca de Cascavel para processar e julgar parte das acusações contra o padre Genivaldo Oliveira dos Santos de 42 anos, investigado por crimes contra a dignidade sexual.
Segundo o Ministério Público, embora os crimes tenham ocorrido em localidades, períodos e contra vítimas distintas, todos apresentam “modus operandi” semelhante e enquadram-se em delitos contra a dignidade sexual, previstos nos artigos 217-A e 215-A do Código Penal. O MP-PR sustenta que a prova produzida em um dos casos influencia diretamente a apuração dos demais.
Outro ponto destacado no recurso é a necessidade de evitar a fragmentação do processo, que poderia resultar em decisões conflitantes, além de maior morosidade e revitimização, sobretudo de crianças e adolescentes. O MP-PR também ressalta que a investigação policial concentrou-se em Cascavel, onde foram autorizadas medidas como buscas, prisões temporárias e prisão preventiva, reforçando a prevenção e a competência do juízo local.
Em relação a um dos fatos ocorridos fora do Paraná, no Rio de Janeiro, o Ministério Público aponta que a vítima reside no Oeste do Estado, o que tornaria mais adequado e menos prejudicial o trâmite do processo em Cascavel, em respeito à proteção da vítima vulnerável e à efetividade da persecução penal.
O padre Genivaldo, de 42 anos, segue preso preventivamente no Complexo Médico Penal, em Curitiba desde 24 de agosto de 2025. A prisão foi mantida até o avanço do processo.
O que diz a defesa
A Gazeta do Paraná conversou com o advogado Algacir Junior, segundo a defesa de Genivaldo, o processo ainda se encontra em fase inicial. Segundo ele, o recurso interposto pelo Ministério Público tem previsão de julgamento entre os dias 2 e 6 de março, e a expectativa da defesa é de que seja considerado improcedente.
“O recebimento da denúncia acabou sendo seguido pela interposição desse recurso. Após o encerramento dos trâmites em segundo grau, quando os autos retornarem ao primeiro grau e a defesa for intimada para apresentar a resposta à acusação, entendemos que será a primeira oportunidade efetiva de esclarecer os fatos no processo”, afirmou.
O advogado acrescentou que a defesa já se organiza para ingressar com pedido de habeas corpus, buscando a revogação da prisão preventiva. Segundo ele, os requisitos que fundamentaram a prisão não subsistiriam mais e, na avaliação da defesa, sequer estariam presentes no momento em que a medida foi decretada.
Denúncia e crimes investigados
O padre foi denunciado pelo MP-PR em outubro do ano passado pela prática de 21 crimes contra 13 vítimas, com idades entre 12 e 48 anos à época dos fatos. Ele está detido desde 24 de agosto, quando foi deflagrada a Operação Lobo em Pele de Cordeiro pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil de Cascavel.
A denúncia, que tramita sob sigilo de Justiça, descreve 8 crimes de estupro de vulnerável, 5 de importunação sexual, 2 de violação sexual mediante fraude (um consumado e um tentado), 5 de tráfico de drogas na modalidade ministrar, induzir e vender e um de entrega de substância nociva à saúde com finalidade medicinal. Além das penas de prisão, o MP-PR requer indenizações por danos materiais e morais às vítimas, com valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil para cada uma.
O Ministério Público também pede a manutenção da prisão preventiva, com fundamento na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal.
Padre é afastado das atividades por suspeita de pedofilia em Cascavel
Outras apurações
Os autos devem ser remetidos à 12ª Promotoria de Justiça de Cascavel, com atuação em Garantias Constitucionais, para apuração de possíveis danos individuais homogêneos às famílias das vítimas e de danos difusos e coletivos à comunidade. Segundo o MP-PR, os fatos podem ter violado direitos fundamentais previstos na Constituição Federal e na Convenção Americana de Direitos Humanos, explorando vulnerabilidades socioeconômicas, de fé e religiosidade, dependência química e sexual.
A denúncia também solicita novas diligências para apurar possíveis crimes de charlatanismo, exercício irregular da medicina e outros delitos contra a dignidade sexual em diferentes municípios, com investigações a cargo da Polícia Civil.
Os crimes teriam ocorrido entre 2009 e julho de 2025
De acordo com o Nucria, a soma das penas em abstrato pode ultrapassar 150 anos de reclusão, considerando os crimes atribuídos e a agravante prevista no Código Penal por violação de dever inerente ao ministério religioso.
Os crimes teriam ocorrido entre 2009 e julho de 2025. O padre foi suspenso do exercício religioso após as denúncias virem a público, conforme nota da Arquidiocese de Cascavel, assinada pelo arcebispo metropolitano Dom José Mario Scalon Angonese. Durante as investigações, também surgiram referências a condutas atribuídas ao arcebispo falecido Dom Mauro Aparecido dos Santos, com a identificação de quatro possíveis vítimas.
Foto: Divulgação
VEJA TAMBÉM NA GAZETA DO PARANÁ:
👉 DILVO GROLLI CONTA AS NOVIDADES DA 38ª SHOW RURAL COOPAVEL
Matérias relacionadas
Polícia cumpre 47 mandados contra grupo investigado por tráfico e lavagem de dinheiro no Paraná
Operação Impacto Moral: PF investiga desvio de mercadorias apreendidas na Receita Federal de Cascavel
Dois homens morrem em confronto com BPFRON em Guaíra
Operação Icarus mira grupo suspeito de abastecer facção com drogas
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.