Operação descobre desvio de fertilizantes vindos do Porto de Paranaguá
Operação da PCPR em Ponta Grossa flagrou grupo substituindo cloreto de potássio por cálcio; cargas vinham do Porto de Paranaguá e motorista confessou suborno de R$ 8 mil
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu sete homens em flagrante durante uma operação que desmantelou um esquema de adulteração de fertilizantes em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A ação foi realizada na noite de quarta-feira (10) e também resultou na apreensão de caminhões, máquinas, dinheiro, celulares e toneladas de material utilizado nas fraudes.
A operação ocorreu no âmbito de uma investigação que apura o desvio e a adulteração de cargas de fertilizantes transportadas a partir do Porto de Paranaguá. Segundo a Polícia Civil, ao menos três ocorrências registradas por empresas vítimas apresentavam características semelhantes, o que levou os investigadores até o barracão utilizado pelo grupo.
Em um dos casos investigados, uma carga de 40 toneladas de cloreto de potássio, avaliada em aproximadamente R$ 110 mil, teve cerca de 80% do produto substituído por material identificado como cálcio. Em outra situação, uma carga avaliada em mais de R$ 143 mil foi entregue ao destinatário em Goiás diferente daquela originalmente embarcada em Paranaguá.
A terceira ocorrência envolveu um caminhão que saiu do litoral paranaense, desviou da rota prevista por cerca de quatro horas e, posteriormente, entregou fertilizante adulterado ao consumidor final.
De acordo com o delegado Lucas Mariano Mendes, responsável pelas investigações, a repetição do mesmo padrão nos casos levou a equipe a concentrar esforços na identificação do local utilizado para realizar as adulterações.
“Em razão da convergência das informações trazidas pelas vítimas, especialmente quanto aos desvios de rota e à adulteração do mesmo tipo de produto, a investigação direcionou as diligências para a identificação do barracão utilizado pelos suspeitos”, afirmou.
Ao chegar ao local, os policiais encontraram intensa movimentação de pessoas e maquinários, além de grande quantidade de fertilizantes e outros materiais granulados. Durante a fiscalização da documentação de uma carga que estava sendo manipulada no momento da abordagem, os investigadores verificaram que o produto havia saído de Paranaguá com destino a Telêmaco Borba, sem qualquer justificativa para descarregamento em Ponta Grossa.
Segundo a Polícia Civil, o motorista responsável pela carga admitiu que receberia R$ 8 mil para desviar o produto até o barracão. Ainda conforme o depoimento, o fertilizante seria misturado com outras substâncias antes de seguir para o destino final.
Diante das evidências, o motorista e outras seis pessoas foram presos em flagrante pelos crimes de adulteração de substância, adulteração de produto destinado ao consumo e furto qualificado.
Equipamentos e materiais apreendidos
Durante a operação, os policiais apreenderam um caminhão-trator, um semirreboque, uma pá carregadeira, três empilhadeiras, celulares dos investigados, R$ 2.382 em dinheiro, cheques, 30 bags contendo material semelhante a cálcio, além de lacres de fertilizantes e notas fiscais.
Todo o material foi encaminhado para análise e servirá como prova no andamento das investigações.
Estrutura precária chamou atenção dos investigadores
Além do esquema de adulteração, a Polícia Civil constatou que o barracão operava em condições consideradas inadequadas para o armazenamento e manuseio de fertilizantes.
Segundo os policiais, o imóvel apresentava acúmulo de água parada, áreas alagadas, resíduos espalhados pelo chão e descarte irregular de materiais. Também foram observadas condições precárias de higiene e ausência de controles sanitários e ambientais.
Os investigadores encontraram ainda material granulado armazenado diretamente sobre o piso, sem qualquer isolamento ou proteção adequada, situação incompatível com os padrões exigidos para esse tipo de atividade.
A Polícia Científica do Paraná esteve no local e recolheu amostras dos produtos encontrados para realização de perícias que devem apontar a composição dos materiais e a extensão da adulteração.
Investigações continuam
Os sete presos foram encaminhados ao sistema penitenciário e permanecem à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema e apurar a participação de empresas ou transportadores envolvidos na adulteração e no desvio das cargas.
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