TJ-PR decide que padre denunciado por 25 crimes será julgado em Cascavel
Tribunal acolheu recurso do MPPR e determinou unificação dos processos por conexão; defesa afirma que vai recorrer
A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu que todos os crimes atribuídos ao padre Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, serão julgados em Cascavel, no Oeste do Estado. A decisão atende a recurso do Ministério Público do Paraná (MPPR), que solicitou a unificação dos processos com base na conexão entre os fatos investigados.
O recurso tratava inicialmente de três dos 25 crimes imputados ao religioso, que não haviam sido recebidos pela Justiça de primeira instância sob o entendimento de que teriam ocorrido fora da comarca. Ao analisar o caso, o TJ-PR reconheceu a conexão probatória entre os episódios e determinou que todas as acusações sejam processadas e julgadas em Cascavel.
A denúncia, apresentada pela 15ª Promotoria de Justiça de Cascavel, aponta a prática de 25 crimes contra 16 vítimas, com idades entre 12 e 48 anos à época dos fatos. Entre as acusações estão nove casos de estupro de vulnerável, dois de violação sexual mediante fraude (um tentado e um consumado), seis de importunação sexual, um de entrega de substância nociva com finalidade medicinal e sete de tráfico de drogas.
O padre está preso preventivamente desde 29 de outubro de 2025 e permanece custodiado no Complexo Médico Penal de Cascavel. As investigações foram conduzidas pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), no âmbito da Operação Lobo em Pele de Cordeiro.
Além da condenação às penas previstas em lei, o Ministério Público também requer o pagamento de indenizações por danos materiais e morais às vítimas, com valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil.
Defesa vai recorrer
A defesa do religioso informou que pretende recorrer da decisão aos tribunais superiores, em Brasília. Segundo o advogado Algacir Junior, o julgamento no TJ-PR tratou exclusivamente de uma questão processual, relacionada à definição da competência para análise dos fatos, sem qualquer avaliação sobre culpa ou inocência.
De acordo com o defensor, três dos episódios descritos na denúncia teriam ocorrido fora de Cascavel, sendo que um deles, inclusive, em outro estado. Por isso, a estratégia da defesa é tentar o desmembramento dos processos para que sejam julgados nas comarcas de origem.
O advogado classificou a decisão como “surpreendente”, mas afirmou que a defesa aguarda a revisão do entendimento pelas instâncias superiores. O caso segue em andamento na Justiça.
Foto: Divulgação
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