Alep aprova novos empréstimos bilionários e oposição cobra explicações sobre caixa de R$ 10,5 bilhões
Projetos ligados ao Fundo Estratégico do Paraná avançam na Alep em meio a questionamentos sobre necessidade de crédito externo após governo divulgar R$ 10,5 bilhões em caixa livre
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou nesta segunda-feira (11) uma série de projetos do governo Ratinho Junior ligados à contratação de crédito externo e à criação de estruturas financeiras voltadas ao chamado Fundo Estratégico do Paraná. As propostas avançaram com apoio da base governista e voto favorável da oposição, mas abriram um debate político e econômico que deve ganhar força nas próximas semanas: por que o Estado busca novos empréstimos internacionais bilionários mesmo após divulgar possuir o maior caixa livre do Brasil?
O principal projeto aprovado autoriza o Paraná a contratar uma operação de crédito de US$ 100 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com garantia da União, para financiar o Fundo Estratégico do Estado. A operação já vinha sendo discutida desde o envio do texto pelo Executivo e prevê impacto financeiro estimado em cerca de R$ 18 milhões apenas nos primeiros anos da dívida.
Além disso, os deputados aprovaram autorização para que o Estado ofereça contragarantia à União em uma operação de crédito externo do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), no valor equivalente a 257 milhões de euros, destinados a projetos de reconstrução, modernização de infraestrutura e enfrentamento de desastres climáticos na região Sul.
A votação ocorreu poucos meses após o próprio governo estadual divulgar que o Paraná teria alcançado o maior caixa livre do país para novos investimentos. Em janeiro, o Executivo afirmou possuir R$ 10,5 bilhões disponíveis, superando estados economicamente maiores, como São Paulo e Santa Catarina.
O dado foi usado pela oposição durante o debate no plenário. O deputado Arilson Chiorato afirmou que o voto favorável da bancada não elimina a necessidade de fiscalização rigorosa sobre os novos financiamentos.
“O governo anunciou em janeiro de 2026 que o Paraná tinha R$ 10,5 bilhões de caixa livre para ser utilizado”, afirmou o parlamentar durante a sessão.
Arilson destacou ainda que o próprio governo classificou o desempenho fiscal do Paraná como superior ao de outras unidades da federação. Mesmo assim, segundo ele, o Estado amplia sua dependência de operações de crédito internacionais.
O parlamentar fez um “voto crítico” favorável às propostas e afirmou que a oposição pretende fiscalizar a aplicação dos recursos e questionar a real necessidade das operações financeiras.
A discussão ganhou novo peso político porque o chamado “Bloco Independente” da Assembleia decidiu se abster nas votações e condicionou um apoio mais amplo à presença do secretário estadual da Fazenda na Alep para prestar esclarecimentos sobre as finanças do Estado.
O deputado Delegado Jacovós afirmou que o grupo ainda não recebeu informações suficientes sobre a situação fiscal paranaense e defendeu maior transparência antes da consolidação das operações de crédito.
A cobrança gerou reação do líder do governo, Hussein Bakri, que defendeu diálogo com a Assembleia, mas pediu cautela para evitar um ambiente de “convocações políticas” em ano eleitoral. Segundo Bakri, o Executivo concorda em levar o secretário à Comissão de Finanças, desde que na forma de convite institucional.
O requerimento de convocação acabou sendo adiado ao final da sessão.
Nos bastidores da Alep, deputados já admitem que a combinação entre caixa bilionário, sucessivos anúncios de superávit fiscal e expansão de empréstimos externos começa a produzir desconforto político inclusive entre parlamentares da base.
O governo sustenta que o Fundo Estratégico do Paraná terá funções amplas, incluindo financiamento de infraestrutura, mitigação de efeitos de desastres climáticos, fortalecimento econômico e apoio a cadeias produtivas consideradas estratégicas.
Ainda assim, a oposição afirma que será necessário acompanhar de perto o destino dos recursos, os custos futuros das operações e o nível de endividamento que poderá ser transferido para os próximos governos.
O debate deve ganhar novos capítulos nos próximos dias, especialmente caso a Assembleia confirme a ida do secretário da Fazenda ao Legislativo para detalhar os números do caixa estadual e explicar por que um governo que afirma possuir o maior volume de recursos livres do país agora amplia sua aposta em crédito internacional.
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