ALEP aprova projeto que autoriza retorno voluntário de policiais da reserva
Proposta tem como principal objetivo reforçar a segurança pública por meio da liberação de efetivo atualmente ocupado em funções administrativas
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou nesta semana o Projeto de Lei 338/2025, que autoriza o retorno voluntário e temporário de policiais militares e bombeiros da reserva remunerada ao serviço ativo no estado. A proposta, apresentada pelo Poder Executivo, tem como principal objetivo reforçar a segurança pública por meio da liberação de efetivo atualmente ocupado em funções administrativas, permitindo que esses profissionais sejam deslocados para o patrulhamento ostensivo nas ruas.
A medida abre espaço para que até 1.900 militares da reserva retornem à ativa, desempenhando atividades internas ou de apoio logístico, enquanto policiais e bombeiros da ativa são redistribuídos para ações operacionais. Segundo o governo, a estratégia visa otimizar a estrutura organizacional das corporações, melhorando o atendimento à população paranaense.
A proposta teve sua votação aprovada no plenário da Alep. O projeto original passou por alterações durante a tramitação: as emendas nº 1 e nº 2, de autoria do deputado Soldado Adriano José (PP), foram retiradas, enquanto a emenda nº 3, apresentada pelo deputado Hussein Bakri (PSD), foi aprovada. A emenda garante a permanência dos integrantes atuais do Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV) e oferece a eles o direito de optar pelo novo modelo de designação.
Critérios rigorosos
A designação será sempre de forma voluntária e temporária, com prazo de até 36 meses, podendo ser renovada uma única vez por igual período. A atuação será limitada a militares da reserva remunerada que tenham sido transferidos compulsoriamente por tempo de serviço ou idade, e que estejam com os proventos integrais.
Ficam excluídos do programa aqueles com proventos proporcionais, salvo nos casos de idade limite, os reformados, os da reserva não remunerada e aqueles que estão há mais de dez anos fora do serviço ativo. Além disso, a lei exige conduta ilibada, impedindo a designação de militares que respondem ou tenham sido condenados por processos disciplinares, administrativos ou criminais, incluindo casos de improbidade.
Para o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Gugu Bueno, a proposta representa um avanço concreto no enfrentamento da criminalidade no estado. “Você tem um número grande de policiais que já estão na reserva e que têm todas as condições de continuarem na ativa, com sua experiência e história. É uma forma legal de o Estado aumentar seu efetivo nas ruas, fortalecendo a segurança preventiva. Muitos desses profissionais já atuam em segurança privada; com o projeto, poderão fazê-lo oficialmente sob o comando da Polícia Militar do Paraná”, afirmou.
Direitos e deveres definidos
Durante o período em que estiverem designados, os militares da reserva terão os mesmos deveres e direitos funcionais dos policiais da ativa de igual hierarquia. Entretanto, não haverá direito a promoções ou participação em cursos de formação. Os designados receberão uma verba indenizatória mensal equivalente a 70% do salário de um soldado de 1ª classe, sem incorporação aos proventos da inatividade.
A atuação desses profissionais deverá ocorrer em áreas administrativas ou logísticas, como atendimento ao público, planejamento, controle de armamentos e apoio interno, contribuindo com o funcionamento das unidades militares sem que isso gere aumento significativo de despesas para o Estado.
Fim do CMEIV
Com a sanção da nova lei, será extinto o atual programa Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV), criado em 2017. Os militares já inseridos nesse modelo terão a possibilidade de migração para o novo regime, desde que cumpram todos os requisitos estabelecidos pela legislação. A emenda aprovada por Hussein Bakri visa exatamente garantir essa transição sem prejuízos aos atuais integrantes.
Segundo o Governo do Paraná, a mudança representa um redesenho estratégico na utilização dos recursos humanos das corporações militares. A proposta dialoga com a necessidade de aumentar o efetivo policial nas ruas em um momento em que a população demanda maior presença do Estado em áreas críticas da segurança pública, sem depender exclusivamente de novos concursos.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.