Bolsonaro presta depoimento à Polícia Civil sobre arma apreendida com segurança no DF
Ex-presidente foi ouvido em casa, onde cumpre prisão domiciliar; caso pode influenciar decisão do STF sobre manutenção do benefício
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre a arma de fogo registrada em seu nome e apreendida com um integrante de sua equipe de segurança durante uma abordagem policial em Brasília.
A oitiva ocorreu na residência de Bolsonaro, no Jardim Botânico, onde ele cumpre prisão domiciliar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento foi realizado dois dias antes do prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes para decidir se mantém ou não o benefício da prisão domiciliar.
Antes da oitiva, os advogados do ex-presidente se reuniram com ele por cerca de uma hora. Policiais civis chegaram ao condomínio por volta das 14h30 e permaneceram no local por aproximadamente 40 minutos.
A investigação teve início após a apreensão de uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro. A arma foi encontrada durante uma blitz realizada em 15 de junho, no Pistão Norte, em Brasília.
Na ocasião, o armamento estava sendo transportado por Estácio Leite da Silva, militar vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e integrante da equipe responsável pela segurança do ex-presidente.
Em depoimento à Polícia Civil, o militar afirmou que recebeu a arma após ser constatada uma falha mecânica que, segundo ele, aparentava ser de simples solução. Ainda de acordo com seu relato, o armamento foi retirado da residência de Bolsonaro no dia 15 de junho para reparo do percussor e seria devolvido no dia seguinte.
A defesa de Bolsonaro sustenta que a arma estava inoperante e que o ex-presidente solicitou apenas a manutenção do equipamento.
Segundo os advogados, a pistola era mantida na residência do ex-presidente e integrantes da equipe de segurança teriam retirado uma peça do armamento sem seu conhecimento, tornando-o incapaz de disparar.
A medida, conforme a defesa, teria sido adotada por precaução em razão do uso de medicamentos psiquiátricos por Bolsonaro, que poderiam afetar sua cognição.
Ainda de acordo com os advogados, o ex-presidente percebeu posteriormente que a arma não funcionava corretamente e, sem saber da alteração realizada por sua equipe, entregou o equipamento ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva para que fosse providenciado o conserto.
O caso é acompanhado pelo STF e poderá ser considerado por Alexandre de Moraes na análise sobre a continuidade da prisão domiciliar. A defesa argumenta que Bolsonaro é o proprietário regular da arma e que não houve qualquer irregularidade na tentativa de manutenção do equipamento.
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