Bônus de Itaipu pode aliviar conta de luz e pressionar IPCA para baixo em agosto
Desconto nas tarifas deve reduzir temporariamente o peso da energia elétrica na inflação, após quatro meses seguidos de alta no índice
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A energia elétrica residencial, que foi o principal fator individual de pressão sobre a inflação em julho, deve contribuir para a desaceleração do IPCA em agosto. A expectativa é provocada pela entrada do bônus de Itaipu nas contas de luz, mecanismo que reduz temporariamente o valor pago pelos consumidores.
Segundo o gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, a apropriação do bônus tende a produzir uma pressão negativa sobre o índice de preços. O efeito, no entanto, deve ser temporário e poderá ser parcialmente compensado na inflação do mês seguinte.
“Quando há a apropriação do bônus, a energia recua e no mês seguinte ocorre uma compensação estatística”, explicou Gonçalves. De acordo com ele, o movimento deve aparecer inicialmente no IPCA-15 e, posteriormente, no IPCA de agosto, que será divulgado pelo IBGE em setembro.
A perspectiva contrasta com o resultado registrado em julho. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês e foi responsável por um impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA. Foi o quarto mês consecutivo em que o item teve a maior contribuição individual para a inflação.
O aumento ocorreu em meio a reajustes tarifários aplicados em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, além da manutenção da bandeira amarela, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Com a pressão da conta de luz, o grupo Habitação apresentou alta de 0,99% em julho e respondeu por 0,15 ponto percentual do índice, o maior impacto entre os grupos pesquisados pelo IBGE. A taxa de água e esgoto também contribuiu para a elevação, com aumento de 0,40%, após reajustes em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco.
Em sentido contrário, o gás encanado registrou queda de 0,04%, influenciado pela redução das tarifas no Rio de Janeiro.
O IPCA geral de julho ficou em 0,07%, abaixo dos 0,16% registrados em junho. A composição do resultado foi marcada por movimentos diferentes entre os grupos. Segundo Gonçalves, houve redução nos preços de alimentos e combustíveis, enquanto a energia elétrica exerceu pressão de alta.
No grupo Transportes, a alta foi de 0,05%. As passagens aéreas tiveram aumento de 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda dos combustíveis. O etanol recuou 2,26%; a gasolina, 1,37%; o diesel, 1,22%; e o gás veicular, 0,08%.
Assim, o bônus de Itaipu deve mudar temporariamente o comportamento da energia elétrica no índice de agosto. O desconto pode ajudar a conter a inflação no curto prazo, embora o impacto não represente uma redução permanente dos custos de energia para os consumidores.
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