Fim da escala 6x1: Entenda as propostas em análise na Câmara e o cronograma de votação
Deputado Alencar Santana presidirá colegiado que unifica textos de Erika Hilton e Reginaldo Lopes; plano de trabalho será apresentado na próxima semana
A Câmara dos Deputados instalou, nesta quarta-feira (29), a comissão especial que será responsável por analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador tem direito a apenas um dia de descanso semanal.
A definição da estrutura do colegiado ocorreu após indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que escolheu o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator e o deputado Alencar Santana (PT-SP) como presidente da comissão.
Apesar de a reunião de instalação estar prevista para as 14h, os trabalhos tiveram início com cerca de 50 minutos de atraso. Durante a sessão, também foram eleitos os demais integrantes da mesa diretora do colegiado. Com 28 votos favoráveis e três abstenções, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) foi escolhida como primeira vice-presidente. Já Luiz Gastão (PSD-CE) e Mauro Benevides Filho (União-CE) assumem como segundo e terceiro vice-presidentes, respectivamente.
Segundo Alencar Santana, a comissão deve se reunir regularmente às terças-feiras, às 14h, e às quartas-feiras, às 10h. O plano de trabalho será apresentado e votado na próxima reunião, marcada para o dia 5 de maio. A expectativa do presidente da Câmara é que a proposta avance rapidamente e possa ser levada ao plenário ainda neste mês.
Debate sobre impactos e compensações
A tramitação da PEC ocorre em meio a discussões sobre os impactos econômicos da eventual redução da jornada de trabalho. Um dos principais pontos em aberto é a forma de compensação para empresas e para o setor público.
Especialistas e parlamentares apontam que mudanças na carga horária podem afetar diretamente a produtividade, a folha de pagamento e a arrecadação. Por isso, ainda não há consenso sobre como equilibrar os possíveis efeitos da proposta.
Por outro lado, integrantes da base governista destacam que reformas estruturais recentes, como a trabalhista de 2017 e a da Previdência de 2019, foram aprovadas sem mecanismos diretos de compensação financeira, argumento que tem sido utilizado para sustentar o avanço da proposta atual.
Nos bastidores, o presidente da comissão tem defendido que a discussão sobre compensações não deve impedir o andamento da PEC. A avaliação é que eventuais ajustes podem ser incorporados ao longo da tramitação, sem a necessidade de definição prévia de um modelo.
O que propõe a PEC
A proposta em análise resulta da unificação de dois textos que tratam da jornada de trabalho. Um deles foi apresentado em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), enquanto o outro foi protocolado em 2025 pela deputada Erika Hilton (PSol-SP).
Pelo regimento da Câmara, propostas com temas semelhantes podem ser apensadas, permitindo a construção de um texto único. Caberá ao relator consolidar as sugestões apresentadas.
Atualmente, os dois projetos apresentam diretrizes distintas:
- A PEC nº 221/2019 propõe a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de um período de transição de dez anos, sem redução salarial.
- A PEC nº 8/2025 propõe a adoção de uma jornada de quatro dias por semana, com limite de 8 horas diárias e 36 horas semanais, na prática eliminando a escala 6×1.
O relator Leo Prates já havia se manifestado anteriormente a favor da redução da jornada. Em 2025, ele apresentou proposta semelhante, prevendo carga horária de 40 horas semanais, com escala 5×2 e implementação gradual até 2028.
A comissão agora será responsável por discutir, ajustar e consolidar o texto que poderá alterar a organização da jornada de trabalho no país, antes de seguir para votação no plenário da Câmara.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.