Clinicão é indiciada por possível fraude econômica em Ponta Grossa
Empresa contratada pela prefeitura foi acusada por maus-tratos a animais e negligência
A Polícia Civil indiciou médicos veterinários e a empresa Clinicão após uma investigação sobre o atendimento prestado a animais acolhidos por meio de contrato com a Prefeitura de Ponta Grossa. Segundo os vereadores, cerca de 75 irregularidades foram identificadas durante a apuração.
A Clinicão, contratada pelo município para acolher e prestar atendimento veterinário a animais em situação de vulnerabilidade, foi indiciada por possíveis fraudes econômicas relacionadas à licitação e aos prontuários dos animais. De acordo com as denúncias, as irregularidades poderiam resultar em cobranças superiores aos serviços efetivamente realizados.
Nos últimos meses, a Prefeitura de Ponta Grossa tem enfrentado críticas de vereadores em relação a contratos terceirizados, após denúncias envolvendo falta de pagamento de funcionários, problemas na prestação de serviços e insuficiência de insumos em áreas como saúde e educação. No caso da Clinicão, as acusações envolvem maus-tratos a animais, supostas negligências e mortes de cães sob responsabilidade da empresa.
A situação ganhou grande repercussão e, neste mês, a prefeita Elizabeth Schmidt anunciou a implantação da Clínica Veterinária Municipal, iniciativa que pretende ampliar o atendimento a animais em situação de vulnerabilidade.
Durante a sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (10), os vereadores Geraldo Stocco e Joce Canto cobraram providências da Prefeitura em relação à manutenção do contrato com a Clinicão. Ao comentar o resultado da investigação, Joce destacou algumas das irregularidades apontadas pela Polícia Civil. “Condições inadequadas de internação, falhas nos procedimentos cirúrgicos, problemas de higiene, descarte irregular de animais recém-operados e até indícios de fraudes em registros utilizados para justificar atendimentos e faturamentos junto ao poder público. Hoje já existem 75 irregularidades analisadas e nove advertências. O contrato prevê que, a partir de cinco advertências, pode haver rescisão, além da aplicação de multa de 12%”, afirmou.
A legislação brasileira prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para casos de maus-tratos contra animais. A pena pode ser aumentada quando os atos resultam na morte do animal.
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