Consórcio vence leilão de concessão do canal de acesso ao porto de Paranaguá
A concessão terá duração de 25 anos e inclui a dragagem permanente do canal
O Consórcio Canal da Galheta Dragagem, formado pelas empresas FTS Participações Societárias S.A., Deme Concessions NV e Deme Dredging NV, foi o vencedor do leilão de concessão do Canal de Acesso Aquaviário ao Porto de Paranaguá, realizado na Bolsa de Valores do Brasil, em São Paulo (B3). O certame inédito no país registrou lance de outorga de R$ 276 milhões e prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão nos primeiros cinco anos, destinados à manutenção, exploração e ampliação do canal, que possui 34,5 km de extensão entre a entrada de navios próxima à Ilha do Mel e o Porto de Antonina.
A concessão terá duração de 25 anos e inclui a dragagem permanente do canal. Um dos critérios do leilão foi a redução de tarifa, resultando em desconto de 12,63% na cobrança da taxa Inframar, paga pelas embarcações que acessam os portos. Concorreram ao leilão a brasileira DTA Engenharia, a belga Jan de Nul NV, a chinesa CHEC Dredging e o consórcio vencedor.
O projeto prevê o aumento do calado do canal, de 13,3 metros para 15,5 metros, em até cinco anos, permitindo a passagem de navios com maior capacidade de carga. Com isso, o Porto de Paranaguá poderá receber porta-contêineres de até 366 metros e navios graneleiros com capacidade de até 125 mil toneladas, além de navios-tanques com até 74 mil toneladas de produtos.
“As vantagens do leilão para a Portos do Paraná é a garantia permanente de um canal dragado por 25 anos, a segurança da navegação e o desconto ao usuário com uma tarifa mais barata pelo resultado do leilão”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
Antes do leilão, o projeto passou por Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos, pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e pela Portos do Paraná. O estudo avaliou demanda, soluções de engenharia, modelagem financeira e aspectos ambientais. Parte da receita da concessionária será retida até a comprovação da execução das obras, e o pagamento integral da tarifa dependerá do cumprimento do cronograma de melhorias estipulado no edital.
O projeto também prevê monitoramento da qualidade da água, dos sedimentos e da fauna marinha, com ações de compensação e recuperação de áreas impactadas, seguindo licenciamento ambiental federal e acompanhamento da Portos do Paraná e órgãos ambientais. Entre as responsabilidades da concessionária estão dragagens de manutenção, derrocagens, levantamentos hidrográficos, sinalização e balizamento náutico.
“O Paraná é vanguarda com o projeto do leilão, que nós começamos em 2020 a estudar e nós tivemos uma redução de quase 12,7% de desconto pra atual tarifa, então quer dizer, uma vantagem para aqueles que utilizam do Porto e Paranaguá pra exportar”, comemorou o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior.
O canal está dividido em áreas externas (Alfa), internas (Bravo 1 e 2), bacias de evolução (Charlie 1 e 3), pontos de atracação (Charlie 2) e áreas de fundeio, onde as embarcações aguardam acesso aos cais. A concessão também inclui a implantação do Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações (VTMIS), voltado à segurança da navegação e ao apoio aos práticos.
“Este leilão dá previsibilidade ao setor produtivo, segurança jurídica, mas sobretudo fortalece as operações portuárias do Porto do Paranaguá, que é um dos maiores portos América do Sul”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
Nos primeiros dois anos, serão realizados levantamentos batimétricos e hidrográficos. A partir do terceiro ano, ocorrerão as atividades de aprofundamento, alargamento e derrocagem, além das dragagens de manutenção e instalação de sinalização.
O modelo de concessão adotado em Paranaguá deverá servir como referência para futuros leilões de canais de acesso em outros portos brasileiros, como Santos (SP), Itajaí (SC), Bahia e Rio Grande (RS).
O Porto de Paranaguá, que completou 90 anos em março, é o segundo maior do país em movimentação de cargas, com 66 milhões de toneladas em 2024. Atualmente, estão em andamento a construção do Moegão, sistema de descarga ferroviária avaliado em R$ 650 milhões, e um píer em formato de T, com quatro novos berços de atracação, ambos projetos com aportes públicos significativos.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.