Copel segue vendendo ativos e deixa mais uma hidrelétrica após privatização
Venda de participação em hidrelétrica no Rio Grande do Sul amplia série de desinvestimentos realizados pela Copel após a privatização
A venda da participação da Copel na Usina Hidrelétrica Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, por R$ 150 milhões, amplia uma tendência que vem marcando a companhia desde sua privatização: a redução gradual de sua presença em diferentes empreendimentos do setor elétrico por meio da venda de ativos considerados não estratégicos.
O negócio foi anunciado nesta semana e envolve a alienação dos 23,03% que a empresa paranaense possuía na Dona Francisca Energética S.A. (DFESA), companhia responsável pela operação da usina localizada no Rio Jacuí, entre os municípios gaúchos de Agudo e Nova Palma. Com a operação, a siderúrgica Gerdau passa a controlar 100% do empreendimento.
A justificativa apresentada pela Copel é semelhante à utilizada em outros processos de desinvestimento realizados nos últimos anos. Segundo a empresa, a venda faz parte da estratégia de simplificação da estrutura societária, otimização do portfólio e concentração de investimentos em ativos de maior porte, onde detenha controle ou influência relevante.
Na prática, porém, a operação representa mais um passo no enxugamento do patrimônio da companhia após a privatização concluída em 2023. Desde então, a empresa vem se desfazendo de participações em diversos negócios, sob o argumento de focar recursos em áreas consideradas prioritárias e aumentar a geração de valor aos acionistas.
A saída da usina Dona Francisca soma-se a uma série de alienações realizadas recentemente. Entre elas estão a venda da participação na Compagás, a saída da usina termelétrica de Araucária, a alienação da termelétrica de Figueira e a venda de participações em pequenas centrais hidrelétricas e outros empreendimentos do setor energético.
Somados, os desinvestimentos já movimentaram bilhões de reais e vêm transformando significativamente o perfil da empresa. Enquanto a direção da Copel sustenta que as operações fortalecem o caixa e tornam a companhia mais eficiente, críticos do processo apontam que a estratégia reduz a presença da empresa em ativos de geração de energia e limita sua participação em projetos que historicamente ajudaram a consolidar a companhia como uma das principais empresas do setor elétrico brasileiro.
No caso da usina Dona Francisca, a Copel era sócia desde a formação da estrutura societária que reunia empresas de energia da região Sul. O empreendimento possui 125 megawatts de potência instalada e opera desde 2001. A concessão da usina é válida até 2037.
A compradora da participação, a Gerdau, vê a aquisição sob uma lógica oposta à adotada pela Copel. A siderúrgica vem ampliando seus investimentos em geração própria de energia para reduzir custos operacionais e aumentar a participação de fontes renováveis em sua matriz energética. Com a compra das fatias da Copel e também da Celesc, realizada em abril deste ano, a empresa passa a controlar integralmente a hidrelétrica.
A transação evidencia dois movimentos distintos no setor: enquanto grandes grupos industriais buscam ampliar a posse de ativos de geração para garantir energia própria e reduzir despesas futuras, a Copel continua avançando em seu processo de venda de participações, concentrando recursos em um número menor de empreendimentos.
Embora a companhia defenda que a estratégia gera eficiência e retorno financeiro, a nova venda reforça um debate que acompanha a empresa desde a privatização: até que ponto a sucessiva alienação de ativos fortalece a Copel ou representa uma redução gradual do patrimônio construído ao longo de décadas com participação pública.
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