Correios buscam R$ 8 bilhões extras para evitar crise financeira durante período eleitoral
Estatal negocia novo empréstimo ou aporte da União para viabilizar plano de reestruturação até junho
Os Correios tentam viabilizar a captação de R$ 8 bilhões adicionais até junho deste ano para manter o plano de reestruturação financeira e evitar uma nova crise operacional em meio ao período eleitoral. A estatal avalia duas alternativas: a contratação de um novo empréstimo ou um aporte direto da União.
Segundo fontes que acompanham as negociações, os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 por meio de uma operação de crédito com cinco bancos devem sustentar o caixa da empresa apenas até o meio deste ano. O prazo pode ser ampliado caso medidas de ajuste, como o Programa de Demissão Voluntária (PDV), apresentem resultados positivos.
Mesmo assim, a avaliação interna é de que garantir os recursos adicionais o quanto antes é essencial para afastar o risco de desequilíbrio financeiro durante a campanha eleitoral, o que poderia gerar desgaste político para o governo federal.
Plano de reestruturação prevê R$ 20 bilhões
Os Correios estimam que o plano de reestruturação exige um total de R$ 20 bilhões. O montante será destinado à regularização de dívidas, ao custeio de medidas de ajuste como incentivos ao PDV e mudanças no plano de saúde e à manutenção das obrigações operacionais da empresa.
Do empréstimo já contratado, R$ 10 bilhões ingressaram no caixa no fim do ano passado. Os outros R$ 2 bilhões devem ser liberados até o fim de janeiro. Em dezembro, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou publicamente que a estatal ainda precisava captar R$ 8 bilhões para cumprir seus compromissos financeiros.
Nesta semana, a direção da empresa iniciou conversas com instituições financeiras para avaliar a possibilidade de uma nova operação de crédito. Paralelamente, o comando da estatal tenta antecipar um aporte da União já previsto em contrato firmado com os bancos.
LEIA MAIS:
>Correios anunciam plano para fechar mil agências e cortar despesas até 2028
>Correios anunciam plano de recuperação com demissões, corte de gastos e possível fechamento de até mil agências
>Correios registram rombo bilionário e prejuízo no semestre já supera todo 2024
Contrato prevê aporte da União até 2027
O acordo firmado com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander inclui uma cláusula que prevê um aporte de R$ 6 bilhões da União até 2027. A informação foi confirmada pelo Tesouro Nacional.
Segundo o órgão, o contrato não vincula esse aporte a uma eventual nova operação de crédito. Isso significa que, além de garantir o empréstimo como fiadora, a União terá de injetar os R$ 6 bilhões nos Correios, de forma parcelada ou integral, independentemente de novas captações no mercado.
O compromisso foi discutido durante reuniões entre o Ministério da Fazenda e representantes dos bancos, quando o governo sinalizou a possibilidade de aporte apenas a partir de 2026. As instituições financeiras solicitaram que a promessa fosse formalizada em cláusula contratual, o que acabou sendo aceito.
Risco eleitoral pressiona antecipação do aporte
Agora, a direção dos Correios tenta usar o risco eleitoral como argumento para antecipar parte do aporte ainda em 2025. O objetivo é evitar a repetição do cenário registrado no fim do ano passado, quando o atraso na contratação do empréstimo colocou em risco o pagamento do 13º salário dos funcionários.
Outra preocupação envolve a dificuldade de uma nova rodada de crédito. Avaliações internas indicam que os grandes bancos podem ter pouco apetite para ampliar a exposição à estatal. Instituições menores chegaram a apresentar propostas, mas com custos considerados elevados pelo Tesouro Nacional.
Executivos do setor financeiro avaliam que um novo endividamento pode comprometer ainda mais a recuperação da empresa. O contrato atual prevê prazo de 15 anos, com três anos de carência. A partir de 2029, o serviço da dívida deve ultrapassar R$ 1 bilhão por ano.
Outras alternativas em análise
Diante desse cenário, técnicos do governo avaliam que o aporte da União em 2026 será inevitável. O Executivo também estuda outras medidas para reforçar o caixa dos Correios, como uma compensação financeira pela prestação do serviço postal universal, obrigação constitucional que gera custos elevados à estatal.
Ainda não há proposta definida, mas o governo analisa modelos adotados em outros países, incluindo a cobrança de taxas específicas para financiar a universalização do serviço postal.
Em nota, os Correios informaram que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento. A empresa afirmou que novas operações de crédito poderão ser avaliadas nas próximas fases, desde que alinhadas aos objetivos estratégicos da estatal.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.