Deputado da Alep acumula gastos com locação de veículos e volta a ser citado em denúncia de rachadinha
Levantamento aponta R$ 126 mil em aluguel de carros pagos com recursos públicos, enquanto nova denúncia menciona movimentações que poderiam chegar a R$ 5 milhões no gabinete parlamentar
Um conjunto de reportagens publicadas nesta semana trouxe novamente o nome do deputado estadual Soldado Adriano José (PP) para o centro de questionamentos envolvendo gastos parlamentares e denúncias relacionadas ao funcionamento de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Um levantamento divulgado pelo portal O Diário de Maringá identificou que o parlamentar acumulou R$ 126 mil em despesas com locação de veículos entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, por meio de pagamentos realizados com recursos públicos destinados à atividade parlamentar.
De acordo com os dados apresentados, foram 12 notas fiscais emitidas no valor de R$ 10.500 cada, pagas à empresa Douglas Veículos Ltda., sediada em Paranavaí. A sequência de documentos aparece em ordem praticamente contínua ao longo do período analisado, o que chamou a atenção na análise das despesas.
Somados, os pagamentos chegam a R$ 126 mil — valor que, segundo a própria reportagem, ultrapassa o preço de mercado de alguns veículos novos, o que levanta questionamentos sobre a economicidade do modelo adotado para o uso de automóveis pelo gabinete.
Nova denúncia menciona movimentação milionária
As revelações sobre os gastos com locação surgem no momento em que uma nova denúncia envolvendo o gabinete do deputado também ganhou repercussão. Segundo reportagem publicada neste sábado (7), o caso menciona movimentações financeiras que poderiam alcançar até R$ 5 milhões.
A denúncia faz referência a um possível esquema de “rachadinha”, termo usado para designar a prática ilegal em que servidores nomeados em gabinetes parlamentares devolvem parte de seus salários ao político ou a intermediários.
Esse tipo de prática geralmente envolve repasses sistemáticos de salários ou a utilização de funcionários fantasmas, mecanismo que permite desviar recursos públicos por meio da folha de pagamento de gabinetes.
Os detalhes sobre as movimentações e os valores citados teriam sido apresentados em denúncia relacionada ao funcionamento do gabinete do parlamentar, ampliando questionamentos que já circulam no meio político desde anos anteriores.
Histórico de acusações
O nome de Soldado Adriano José já havia sido citado anteriormente em denúncias de natureza semelhante. Em 2021, um ex-assessor afirmou às autoridades que havia um suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores no gabinete, além da possível existência de funcionários fantasmas e uso irregular de verbas parlamentares.
À época, o deputado negou as acusações e afirmou ser vítima de perseguição por parte do denunciante. Segundo ele, o ex-assessor teria sido exonerado e posteriormente passou a divulgar denúncias consideradas infundadas pelo parlamentar.
Apesar das denúncias terem sido encaminhadas a órgãos de controle e investigação, reportagens posteriores apontaram que o caso ainda não teve desfecho público, permanecendo sem esclarecimentos oficiais sobre eventual andamento ou conclusão das apurações.
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