Estado destina R$ 50 milhões para ações emergenciais após temporais
Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) será principal instrumento de apoio; temporais afetaram 38 municípios e deixaram milhares de pessoas desalojadas
O fim de semana foi de destruição e apreensão em dezenas de municípios do Paraná. Ventos de quase 100 km/h, chuvas intensas e granizo causaram danos em residências, prédios públicos, estradas e redes elétricas em praticamente todas as regiões do Estado. Segundo a Defesa Civil Estadual, 38 municípios foram diretamente afetados pelos temporais, com mais de 32 mil pessoas impactadas, 284 desabrigadas e 3.968 desalojadas.
Diante da gravidade da situação, o governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou nesta segunda-feira (3) o repasse emergencial de R$ 50 milhões ao Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), criado para dar resposta rápida a desastres naturais. O aporte de recursos do Tesouro Estadual permitirá o atendimento imediato das prefeituras na reconstrução de estradas, prédios públicos e residências danificadas.
O decreto foi definido após reunião no Palácio Iguaçu, que reuniu secretários estaduais e prefeitos das cidades atingidas. Durante o encontro, os gestores municipais relataram casas destelhadas, pontes danificadas, escolas e prefeituras comprometidas e estradas intransitáveis após as chuvas do fim de semana.
“Estamos destinando R$ 50 milhões para o Fecap, para que o Estado possa apoiar de forma imediata as prefeituras nas ações de recuperação”, afirmou o governador. “Esses recursos poderão ser usados para compra de óleo diesel para maquinários municipais, limpeza de ruas, abastecimento de caminhões-pipa e reparos em estradas rurais.”
O Fecap, criado em outubro de 2023, tem se consolidado como o principal instrumento estadual de resposta e prevenção a desastres naturais. Desde sua criação, R$ 61,2 milhões já foram repassados a 102 municípios paranaenses em situações de emergência. Em maio deste ano, uma nova lei ampliou a abrangência do fundo, permitindo que os recursos também sejam aplicados em obras de prevenção e mitigação de riscos, como drenagens, contenções de encostas e remoção de moradias em áreas de risco.
Além do apoio financeiro direto, o Estado adotou um conjunto de medidas emergenciais. A Fomento Paraná vai abrir uma linha de crédito com juro zero, de até R$ 10 mil, para famílias que tiveram suas casas danificadas pelos temporais. Empresas afetadas poderão recorrer a uma linha especial de crédito do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com juros subsidiados, para reconstruir barracões, repor maquinários e retomar atividades produtivas.
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR) também mobilizou 20 máquinas e operadores para reconstrução de pontes e vias danificadas. A Secretaria de Infraestrutura e Logística disponibilizou recursos adicionais para a recuperação de bueiros, pontilhões e estradas vicinais.
Segundo o DER, 20 ocorrências foram registradas na malha rodoviária estadual, principalmente quedas de árvores e escorregamentos de aterros. Doze já foram solucionadas e as demais estão em fase de contratação de reparos. Nenhum trecho de rodovia permanece interditado.
“Com essa rede de apoio conseguimos atender rapidamente as nossas cidades”, declarou Ratinho Junior. “Estamos acompanhando a situação desde os primeiros alertas e agora colocamos todas as equipes à disposição para reconstruir o que foi destruído.”
Ajuda humanitária
A Defesa Civil Estadual iniciou ainda no domingo (2) a distribuição de ajuda humanitária, telhas, colchões, lonas, kits de higiene e limpeza e cestas básicas, para as famílias atingidas. O órgão mantém estoque de 100 mil telhas para atendimento emergencial.
“No mesmo dia das ocorrências entregamos lonas às famílias que tiveram as casas destelhadas. Desde então, já iniciamos o envio de telhas e kits de higiene, limpeza e dormitório”, informou o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schünig. “As equipes regionais, junto com o Corpo de Bombeiros, estão trabalhando desde o início para atender os municípios mais afetados.”
Os temporais causaram estragos expressivos em cidades como Campo Mourão, Jandaia do Sul, Barbosa Ferraz e Santa Helena. Em Campo Mourão a destruição foi grande, com dezenas de casas sofrendo com a forte chuva de granizo. Em Jandaia, praticamente todo o perímetro urbano foi atingido por chuva de granizo com pedras de até 100 gramas.
“Mais de mil casas foram danificadas. Já distribuímos 24 mil metros de lonas e seguimos na limpeza da cidade, com o apoio constante da Defesa Civil”, relatou o prefeito Ditão Pupio.
Em Barbosa Ferraz, no Noroeste, escolas, creches e a própria prefeitura tiveram os telhados arrancados. A estimativa é que entre mil e 1,2 mil famílias tenham sido atingidas. Já em Santa Helena, o acumulado de chuvas chegou a 138 milímetros em dois dias, quase o total esperado para todo o mês de novembro.
As equipes da Copel também intensificaram o trabalho para restabelecer o fornecimento de energia. Durante o pico dos temporais, 59 mil domicílios ficaram sem luz em razão da queda de torres, postes e árvores. Até a manhã de segunda-feira, mais de 24 mil unidades consumidoras já haviam sido normalizadas.
Os temporais derrubaram seis torres de alta tensão e danificaram mais de 115 postes em cidades como Alvorada do Sul, Santa Fé e Porecatu. Ao todo, 2,8 mil frentes de serviço estavam em operação para reconstruir as redes.
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