Indústria do PR diz que fim da escala 6x1 pode derrubar PIB e fechar 1,3 milhão de vagas
Federação das Indústrias e Associação Comercial do PR alertam para aumento de até 22% nos custos trabalhistas e defendem debate técnico sobre a redução da jornada para 40 horas
Entidades do setor produtivo do Paraná reagiram com críticas à aprovação da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1. O texto foi aprovado nesta quarta-feira (27) pela comissão especial da Câmara dos Deputados e agora segue para votação no plenário da Casa.
No Paraná, federações e associações empresariais demonstraram preocupação com os impactos econômicos e trabalhistas da medida, principalmente para setores com operação contínua e forte dependência de mão de obra.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná afirmou, em nota, que a proposta avançou de maneira “açodada” e sem debate aprofundado com o setor produtivo. Segundo a entidade, o texto foi aprovado sem considerar estudos técnicos sobre os efeitos econômicos da redução da jornada.
De acordo com levantamento elaborado pela Fiep em parceria com a Tendências Consultoria, a mudança pode provocar queda de 1,9% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já em 2027, além da eliminação de mais de 1,3 milhão de empregos formais.
A federação argumenta que a redução compulsória da carga horária, sem aumento proporcional da produtividade ou medidas compensatórias, tende a elevar custos operacionais e reduzir a competitividade das empresas.
Na avaliação da entidade, os impactos seriam ainda mais severos na indústria, especialmente em segmentos que operam em escala contínua, com margens reduzidas e maior intensidade de mão de obra.
A Associação Comercial do Paraná também divulgou posicionamento sobre o tema. A entidade afirmou acompanhar com preocupação a tramitação da proposta e defendeu que o debate seja conduzido com base em critérios técnicos, e não políticos.
Segundo a ACP, a discussão ocorre em meio a um ambiente de forte pressão no Congresso Nacional e em um contexto eleitoral, o que, na avaliação da entidade, pode simplificar excessivamente os efeitos econômicos da proposta.
A associação destacou que empresários e trabalhadores possuem interesses convergentes, como crescimento econômico, geração de empregos, aumento da produtividade e melhoria salarial. Ao mesmo tempo, a entidade reconheceu a necessidade de garantir melhores condições de trabalho e qualidade de vida aos empregados.
Apesar disso, a ACP afirmou que mudanças rígidas na escala semanal podem criar custos adicionais às empresas e comprometer a flexibilidade necessária para diferentes setores da economia.
A entidade também demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre micro, pequenas e médias empresas, que, segundo a associação, poderiam enfrentar maiores dificuldades para absorver o aumento de custos operacionais.
Conforme dados citados pela ACP, com base em estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, o fim da escala 6x1 poderia elevar em até 22% o custo do trabalho no país.
A proposta aprovada pela comissão especial prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. O texto ainda precisará ser analisado pelo plenário da Câmara e, posteriormente, pelo Senado Federal.
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