Áudio vazado de Flávio Bolsonaro pedindo recursos gera racha na direita
Parlamentar é gravado supostamente pedindo apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para filme sobre o pai. Repercussão isola núcleo do PL e provoca duras críticas de Romeu Zema e lideranças do Missão
O vazamento de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro provocou reações entre políticos da direita fora do núcleo ligado ao Partido Liberal nesta quarta-feira (13). No material divulgado, o parlamentar aparece supostamente pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A gravação foi divulgada após reportagem publicada pelo site Intercept Brasil. Segundo a publicação, Flávio teria buscado apoio financeiro de Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.
Enquanto aliados próximos do senador evitaram comentar publicamente o caso, nomes da direita dissidente aproveitaram a repercussão para intensificar críticas ao grupo bolsonarista.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais aliados políticos da família Bolsonaro, não se manifestou nas redes sociais até o momento.
Flávio Bolsonaro se defende e pede CPI
Após a repercussão do áudio, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que negou irregularidades e defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso envolvendo o Banco Master.
Segundo o senador, o pedido de recursos tinha relação com um projeto privado de produção cinematográfica.
“Tem que separar os inocentes dos bandidos”, afirmou o parlamentar no vídeo divulgado em seu perfil no Instagram.
Romeu Zema critica aproximação com Vorcaro
Entre os primeiros nomes da direita a reagir ao episódio esteve o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo-MG).
Em publicação nas redes sociais, Zema afirmou que ouvir o senador solicitando dinheiro ao banqueiro é algo “imperdoável”.
Segundo o ex-governador, não é possível criticar práticas atribuídas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e adotar condutas semelhantes.
“Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, declarou.
Nos bastidores políticos, Zema chegou a ser cogitado anteriormente como possível integrante de uma chapa presidencial ao lado de Flávio Bolsonaro para a disputa de 2026.
Integrantes do Missão atacam senador
Lideranças do Missão também reagiram duramente ao caso.
O pré-candidato à Presidência Renan Santos utilizou a rede social X para atacar o senador.
“7 anos depois da rachadinha tinha gente acreditando que o Flávio é honesto. Hoje, apenas os absolutamente idiotas. A casa caiu”, escreveu.
Em outra publicação, Renan chamou Flávio Bolsonaro de “ladrão”.
Já o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que o senador evitou defender a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal porque também estaria envolvido em irregularidades.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Kataguiri mencionou os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli ao comentar o caso.
“Quando já tinha estourado o escândalo, quando todo mundo já sabia que Vorcaro era bandido, o que o Flávio disse? Que sempre esteve e que sempre estará com Daniel Vorcaro”, afirmou o parlamentar.
Kataguiri também declarou que “a direita brasileira não pode ser refém de bandido”.
O caso amplia a pressão sobre setores da direita em meio às articulações para a eleição presidencial de 2026 e aprofunda o distanciamento entre grupos ligados ao bolsonarismo e movimentos políticos que tentam construir uma alternativa conservadora fora do núcleo do PL.
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