Gigantes das rodovias dominam concessões no Paraná e reforçam concentração bilionária do setor
Quatro dos maiores grupos de concessão rodoviária do mundo controlam praticamente toda a malha pedagiada no Paraná
O novo mapa das concessões rodoviárias do Paraná revela um cenário que vai muito além das fronteiras estaduais. Os principais corredores de pedágio do Estado passaram a ser administrados por grupos que figuram entre as dez maiores empresas do mundo no setor de concessões de rodovias, consolidando o Paraná como um dos principais mercados da infraestrutura rodoviária brasileira.
Dos seis lotes do novo programa de concessões estaduais e federais, todos estão nas mãos de três grupos que aparecem entre os maiores operadores globais: Motiva (antiga CCR), EPR e Pátria. A eles se soma a Arteris, empresa controlada pela espanhola Abertis, que administra a ligação entre Curitiba e Santa Catarina.
O Grupo Motiva, antigo CCR, assumiu o Lote 3, por meio da concessionária Motiva Paraná. A empresa administra cerca de 5.044 quilômetros de rodovias, todos localizados no Brasil, o que a coloca entre as maiores operadoras privadas do planeta.
Já o Grupo EPR tornou-se um dos principais protagonistas das concessões paranaenses. A empresa controla três dos seis lotes licitados no Estado: o Lote 2, com a EPR Litoral Pioneiro; o Lote 4, com a EPR Paraná; e o Lote 6, com a EPR Iguaçu. No ranking mundial, a companhia administra aproximadamente 3.639 quilômetros de rodovias, todos em território brasileiro.
Outro gigante presente é o Grupo Pátria, por meio das concessionárias Via Araucária, responsável pelo Lote 1, e Via Campo, vencedora do Lote 5. O grupo possui cerca de 3.423 quilômetros de rodovias sob concessão, sendo aproximadamente 2.475 quilômetros no Brasil, figurando entre os maiores operadores privados do setor.
Completa esse grupo a Arteris, controlada pela espanhola Abertis, uma das maiores empresas de infraestrutura do mundo. No Paraná, a companhia opera a Arteris Litoral Sul, responsável pelo trecho que compreende o Contorno Leste de Curitiba (BR-116), a BR-376 e a BR-101 até Palhoça (SC), um dos corredores logísticos mais importantes da Região Sul.
Mercado concentrado
O levantamento baseado nos balanços das empresas mostra que quatro dos grupos presentes no Paraná integram o seleto grupo das dez maiores operadoras de rodovias do planeta. O ranking é liderado pela francesa Vinci, seguida pela espanhola Abertis/Arteris, enquanto Motiva, Pátria e EPR aparecem entre as maiores companhias globais.
A forte presença desses grupos evidencia uma característica do mercado de concessões rodoviárias: trata-se de um setor altamente concentrado, marcado por contratos de longo prazo, investimentos bilionários e elevadas exigências técnicas e financeiras, fatores que dificultam a entrada de novos concorrentes.
Segundo dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), a malha administrada pela iniciativa privada no Brasil saltou de 23,2 mil quilômetros para mais de 32 mil quilômetros entre 2020 e 2025. O crescimento fez do país um dos principais destinos mundiais para investimentos em infraestrutura, atraindo empresas europeias, fundos de investimento e grandes operadores internacionais.
Esse movimento também fortaleceu grupos brasileiros, como Motiva, EPR e Pátria, que expandiram rapidamente suas carteiras de concessões e passaram a disputar espaço entre os maiores administradores de rodovias do mundo.
Lições do passado
A presença de empresas consolidadas no mercado internacional é vista como um indicativo de capacidade financeira e experiência operacional. No entanto, o histórico das concessões no Paraná mostra que o porte das empresas, por si só, não garante o sucesso dos contratos.
O antigo modelo de pedágio, encerrado em 2021, também era operado por grandes concessionárias nacionais e internacionais. Ao longo de mais de duas décadas, o sistema acumulou críticas relacionadas às tarifas elevadas, atrasos em obras previstas nos contratos, disputas judiciais e investimentos que deixaram de ser executados.
Diversos trechos prometidos em duplicações, contornos e melhorias não foram entregues dentro do prazo inicialmente previsto, gerando questionamentos de usuários, entidades empresariais e órgãos de controle.
Por isso, embora o novo programa tenha sido estruturado com regras diferentes, descontos nas tarifas e mecanismos mais rígidos de fiscalização, o desafio agora será garantir que os investimentos prometidos sejam efetivamente executados.
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