Governo deixa Adapar na mão e agro pode sofrer com greve
Paralisação atinge fiscalização, certificações e pode impactar produção e exportações no Paraná
A mobilização dos servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) ganhou força nesta semana com a adesão dos engenheiros. Em assembleia realizada nesta terça-feira (07), o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) aprovou estado de greve e definiu a paralisação das atividades para sexta-feira (10), a partir das 14h.
A decisão segue o mesmo calendário estabelecido pelo Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Paraná (Sindefesa-PR), que já havia aprovado greve da categoria na segunda-feira (06). Com isso, diferentes segmentos da Adapar devem cruzar os braços ao mesmo tempo, ampliando o impacto do movimento.
Segundo o Senge, a direção da Adapar já foi oficialmente comunicada sobre a decisão. A paralisação ocorre em meio ao impasse nas negociações entre os servidores e o governo estadual, principalmente em relação à reestruturação das carreiras.
De acordo com o Sindefesa, o estopim para a greve foi o não cumprimento de compromissos assumidos pelo governo. A principal cobrança diz respeito ao envio de um projeto de lei que trata da reestruturação funcional da categoria, discutido ao longo dos últimos meses, mas que acabou não sendo encaminhado à Assembleia Legislativa dentro do prazo esperado.
Uma nota interna da própria Adapar confirma que houve decisão do Executivo de não enviar o anteprojeto no dia 31 de março. A medida frustrou a expectativa dos servidores, que aguardavam a tramitação ainda neste primeiro semestre.
Após reuniões com representantes do governo, ficou definido que o projeto só deverá ser encaminhado após o dia 4 de outubro de 2026. A data coincide com o período eleitoral e, na prática, adia qualquer avanço concreto neste ano, o que aumentou a insatisfação entre os trabalhadores.
Segundo o sindicato, a categoria vinha evitando medidas mais duras justamente para preservar o diálogo. Mesmo diante de divergências ao longo das negociações, os servidores optaram inicialmente por não deflagrar greve. A mudança de posição ocorreu após a confirmação de que o projeto não avançaria no curto prazo.
Ainda conforme o Sindefesa, uma proposta de reestruturação chegou a ser apresentada em 2025, passou por análise dentro do governo e acabou substituída por um novo texto. O conteúdo final, no entanto, não foi detalhado publicamente, o que também gerou questionamentos por parte dos servidores.
A paralisação levanta preocupação no setor agropecuário paranaense. A Adapar é responsável por uma série de atividades essenciais, como fiscalização sanitária, controle de doenças animais e vegetais, emissão de certificados e liberação de cargas para circulação e exportação.
Na prática, a interrupção desses serviços pode afetar diretamente a cadeia produtiva. Frigoríficos, por exemplo, dependem da atuação dos fiscais para manter o funcionamento regular. O escoamento da produção e o cumprimento de exigências sanitárias para exportação também podem ser impactados.
Além dos efeitos econômicos, há preocupação com o aspecto sanitário. A redução da fiscalização compromete a capacidade de resposta a possíveis surtos de doenças e pragas, o que pode gerar reflexos tanto no mercado interno quanto na imagem do Paraná perante compradores internacionais.
O Sistema FAEP se manifestou sobre o tema e alertou para os riscos da paralisação. Em nota, a entidade destacou que as atividades desempenhadas pela Adapar são fundamentais para garantir a produção rural e a segurança dos alimentos.
O presidente da federação, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a greve pode comprometer o funcionamento do setor e trazer riscos sanitários. Ele também defendeu a abertura de diálogo entre governo e servidores como forma de evitar prejuízos aos produtores e à economia do Estado.
“A paralisação dos servidores da Adapar vai comprometer a produção de alimentos no Paraná e coloca em risco, principalmente sanitário, as tarefas realizadas no meio rural. Esperamos que o governo estadual abra um canal de diálogo com o Sindicato e com os próprios colaboradores para garantir a manutenção das atividades no campo, sem impacto para os nossos produtores e também para o setor”, afirmou Ágide.
A entidade ressaltou ainda que o Paraná construiu, ao longo dos anos, uma posição de destaque na sanidade animal e vegetal, sendo reconhecido nacional e internacionalmente. Uma paralisação prolongada, segundo a FAEP, pode colocar esse status em risco.
Procurada, a assessoria de comunicação da Adapar informou que ainda não há posicionamento oficial sobre a situação. De acordo com o órgão, a diretoria está em viagem e uma manifestação deve ser divulgada assim que houver retorno.
Com a greve marcada para sexta-feira, cresce a expectativa por uma sinalização do governo nos próximos dias. Até lá, o cenário é de incerteza, tanto sobre a adesão efetiva ao movimento quanto sobre os impactos imediatos nas atividades do setor agropecuário paranaense.
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