Alcolumbre busca reaproximação com Lula e aposta em avanço da PEC do fim da escala 6x1, diz Ministro
Ministro José Guimarães afirma que presidente do Senado não deve criar obstáculos para a proposta que extingue a jornada 6x1 e busca retomar diálogo com o Planalto
Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem demonstrado disposição para reconstruir a relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o ministro, o senador também não deve criar obstáculos para a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1 sem redução salarial.
De acordo com Guimarães, Alcolumbre tem sinalizado interesse em retomar o diálogo com o Palácio do Planalto. “Ele diz, reiteradamente: quer sentar com o presidente e recompor a relação. É isso”, declarou o ministro.
Na entrevista, Guimarães reconheceu que Alcolumbre teve participação no processo que resultou na não indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, afirmou que o governo conseguiu reorganizar sua articulação política após o episódio.
PEC do fim da escala 6x1
Após a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, o ministro avaliou que o Senado tende a dar sequência à análise da matéria sem grandes resistências.
Segundo ele, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já teria tratado do tema com Alcolumbre. Guimarães afirmou que o governo trabalha para acelerar a tramitação da proposta.
“Vamos conversar. Do jeito que está o texto, o ideal seria levar direto para o plenário. Vai depender do Davi, porque a oposição quer retardar”, afirmou. “Eu e o Hugo estamos trabalhando para buscar um encaminhamento que permita a votação imediata, sem protelamento no Senado”, acrescentou.
O ministro também avaliou que a proposta deve ocupar espaço relevante no debate político nacional. Segundo ele, a aprovação da PEC representou uma derrota para o campo bolsonarista e tende a ganhar destaque nos próximos meses.
Ao comentar críticas de setores empresariais que apontam possível aumento de custos com a redução da jornada, Guimarães afirmou que opositores do governo costumam atribuir motivação eleitoral a qualquer medida defendida pelo Executivo.
Classificação de PCC e CV pelos Estados Unidos
Durante a entrevista, o ministro também comentou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na avaliação de Guimarães, a medida não deverá produzir efeitos eleitorais no Brasil, mas levantou preocupações relacionadas à soberania nacional.
“Ninguém pode invadir o Brasil a pretexto de combater o crime organizado. Por que o governo americano não incluiu nessa classificação os milicianos?”, questionou.
O ministro afirmou ainda que a cooperação internacional no combate ao crime organizado é positiva, desde que ocorra dentro das regras e dos mecanismos definidos pelas autoridades brasileiras.
Prioridades para o Senado
Questionado sobre quais pautas considera prioritárias até o período eleitoral, Guimarães apontou três temas principais: a regulamentação dos minerais críticos, a PEC da Segurança Pública e a proposta que extingue a escala 6x1.
Segundo ele, o ideal seria evitar a votação de matérias com potencial de gerar forte impacto fiscal ou político, conhecidas no Congresso como “pautas-bomba”.
Juros e Banco Central
Guimarães também comentou a atuação do Banco Central e do presidente da instituição, Gabriel Galípolo. O ministro negou haver frustração do governo com a condução da autoridade monetária, mas voltou a criticar o atual nível da taxa de juros no país.
Para ele, a inflação tem permanecido controlada nos últimos anos e a manutenção de juros elevados acaba limitando um crescimento econômico mais acelerado.
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