Greve dos Correios chega a nova semana e dissídio será julgado na segunda
Paralisação ultrapassou uma semana e tem como principal impasse mudanças no plano de saúde; TST determinou manutenção de 80% do efetivo durante a greve
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A greve dos funcionários dos Correios entrou em uma nova semana nesta sexta-feira (18), sem acordo entre a empresa e os trabalhadores. O julgamento do dissídio coletivo está marcado para segunda-feira (21), às 13h30, no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A paralisação começou na noite de 10 de setembro, após as negociações do acordo coletivo terminarem sem consenso. Um dos principais pontos de conflito é a mudança no modelo de gestão do plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.
Os trabalhadores contestam a proposta de mudança dos Correios, que deixaria a empresa na condição de patrocinadora do CorreiosSaúde, em vez de mantenedora. Segundo a categoria, a alteração pode aumentar os custos e as mensalidades do plano e afetar direitos dos beneficiários.
Os sindicatos também rejeitaram a proposta inicial apresentada pela empresa, que previa reajuste de 0,87%.
O que os trabalhadores reivindicam
A categoria pede uma recomposição salarial de acordo com a inflação acumulada, além de ganho real. Os trabalhadores afirmam que o índice oferecido pelos Correios ficou abaixo da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Entre as reivindicações também estão o retorno do adicional tradicional de 70% sobre as férias e do pagamento de 200% pelo trabalho realizado em repousos ou feriados.
Os empregados são ainda contrários à extinção de gratificações específicas, como as destinadas a motoristas, a gratificação por quebra de caixa e o vale extra de Natal.
TST determina 80% do efetivo
Durante a greve, o TST determinou que 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade dos Correios.
A decisão foi tomada pelo presidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho, após a estatal recorrer à Justiça para garantir o funcionamento mínimo dos serviços. O magistrado considerou a essencialidade da atividade postal e o possível impacto da paralisação no período eleitoral de 2026.
Os Correios afirmam que a paralisação tem adesão parcial e que a empresa mantém os serviços em funcionamento.
Categoria critica atuação dos Correios
A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) criticou a empresa por manter outras iniciativas enquanto o impasse sobre o acordo coletivo continua.
Em nota, a entidade afirmou que os trabalhadores esperam uma iniciativa concreta para retomar as negociações, principalmente em relação ao plano de saúde.
“Em meio a uma greve e com o acordo coletivo sem solução, a empresa dedica espaço a novos uniformes, tamanhos, tecidos e procedimentos de entrega, enquanto a questão que mais preocupa os trabalhadores permanece sem resposta: a garantia do plano de saúde”, afirmou a federação.
Para a Findect, as aquisições realizadas pelos Correios são relevantes, mas ocorrem em um momento considerado inadequado pela entidade.
Correios dizem que mantêm serviços
Em nota, os Correios informaram que continuam operando em todo o país e adotaram medidas para reduzir os impactos da paralisação.
Entre as ações citadas estão a mobilização de empregados administrativos para reforçar as atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas e demais objetos postais.
A empresa orienta os clientes a acompanhar o rastreamento das encomendas pelo site ou aplicativo dos Correios e aguardar a entrega no endereço informado.
Para situações específicas, os clientes podem procurar os canais de atendimento da empresa, incluindo os telefones 4003-8210 e 0800-881-8210, o chat e o serviço Fale Conosco no portal dos Correios. Central de Informações dos Correios
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