Greve da Adapar pode fazer com que japoneses deixem de comprar carne bovina do Paraná
Estado receberá visita internacional que irá avaliar o funcionamento do sistema de defesa agropecuária do Paraná
A possível paralisação dos servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) deve ocorrer justamente no momento em que o Estado recebe uma comitiva internacional do Japão para avaliar o sistema de defesa agropecuária paranaense. A coincidência de datas acende um alerta no setor produtivo e entre autoridades, já que a auditoria é considerada estratégica para a ampliação das relações comerciais, especialmente na exportação de carnes.
De acordo com nota encaminhada aos servidores pelo Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Paraná (Sindefesa-PR), o indicativo de greve foi oficialmente protocolado na tarde de segunda-feira (7). Seguindo o prazo legal de 72 horas, a paralisação pode ter início na sexta-feira (10), às 15h34, exatamente no período em que a missão japonesa estará no Estado.
Ainda conforme o sindicato, a visita internacional tem como objetivo avaliar o funcionamento do sistema de defesa agropecuária do Paraná, incluindo as atividades desempenhadas pela Adapar. A entidade alerta que a eventual greve pode causar “impacto negativo nas relações comerciais”, com risco de o Japão adiar a abertura do mercado para a carne bovina paranaense, além de não ampliar a importação de carne suína.
“Tal coincidência de datas poderá impactar negativamente as relações comerciais podendo levar o Japão a postergar o início da compra de carne bovina do Paraná, bem como a não ampliar a importação de carne suína”, diz o comunicado.
O Sindefesa também aponta a possibilidade de que o país asiático direcione suas compras para outros estados brasileiros que também passarão por auditoria, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Diante desse cenário, o sindicato pede mobilização de lideranças políticas e do setor produtivo, ao mesmo tempo em que afirma manter disposição para o diálogo com o governo.
A greve ocorre em meio a um impasse nas negociações entre servidores e o Executivo estadual. A principal reivindicação da categoria é a reestruturação das carreiras, promessa que, segundo os trabalhadores, não foi cumprida dentro do prazo esperado. Um projeto de lei sobre o tema chegou a ser discutido ao longo de 2025, mas não foi encaminhado à Assembleia Legislativa até o fim de março deste ano.
Uma decisão posterior do governo indicou que a proposta deve ser enviada apenas após outubro de 2026, o que, na avaliação dos servidores, inviabiliza avanços concretos ainda neste ano. A frustração com o adiamento levou à intensificação do movimento grevista.
A mobilização ganhou força com a adesão de outros segmentos da Adapar. Em assembleia realizada nesta semana, o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) também aprovou estado de greve, com paralisação prevista para a mesma data. A convergência entre diferentes categorias tende a ampliar o impacto das atividades interrompidas.
As funções desempenhadas pela Adapar são consideradas essenciais para o funcionamento do agronegócio. O órgão é responsável por ações como fiscalização sanitária, controle de doenças animais e vegetais, emissão de certificações e liberação de cargas para circulação e exportação. Uma paralisação pode afetar diretamente frigoríficos, produtores rurais e toda a cadeia logística do setor.
O Sistema FAEP manifestou preocupação com os possíveis efeitos da greve. Em nota, a entidade afirmou que a paralisação “vai comprometer a produção de alimentos no Paraná e coloca em risco, principalmente sanitário, as tarefas realizadas no meio rural”. A federação também defendeu a abertura de diálogo para evitar prejuízos ao setor produtivo.
Do lado do governo, a Adapar informou que mantém diálogo com os servidores e destacou medidas recentes de valorização do funcionalismo público estadual. Segundo o órgão, foi anunciado um pacote de aproximadamente R$ 1,6 bilhão ao ano, que inclui reajuste de 5% referente à data-base, além de estudos para reestruturação das carreiras.
Apesar disso, até o momento não houve anúncio de nova proposta específica que atenda às reivindicações da categoria e possa evitar a paralisação.
Com a proximidade da data prevista para o início da greve e a chegada da comitiva japonesa, cresce a expectativa por uma solução de última hora. O desfecho das negociações pode ter reflexos não apenas na rotina do setor agropecuário, mas também na imagem sanitária do Paraná no cenário internacional e nas oportunidades de expansão de mercado para produtos de origem animal.
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