Grupo em recuperação detém R$ 540 milhões em créditos do Pupin
Empresas ligadas à Midas/Fource concentram créditos e suspeitas de conluio e conflito de interesses
O Grupo Bom Jesus Agropecuária Ltda., controlado pelo empresário Nelson José Vigolo (foto), tornou-se o maior credor do Grupo Pupin, com aproximadamente R$ 540 milhões em créditos.
Segundo ação judicial movida pelo produtor José Pupin, tal fato "causa estranheza", já que a Bom Jesus também está em recuperação judicial e, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, a empresa adquiriu créditos vultosos da multinacional Cargill Agrícola S/A, que havia requerido a falência do Grupo Pupin em 2021.
A recuperação da Bom Jesus foi encerrada por acórdão, da 1ª Câmara de Direito Privado do TJ-MT, em fevereiro de 2023, mas sem trânsito em julgado, pois aguarda o julgamento de recurso especial.
Na ação ajuízada pelo escritório do advogado Eumar Novacki, Pupin acusa o grupo Midas/Fource de ter se infiltrado na recuperação judicial de seu grupo e passado a agir de forma “parasitária”, controlando o patrimônio da empresa e desviando recursos milionários sob o pretexto de promover sua reestruturação financeira.
Pupin e sua esposa, Vera Lúcia Camargo Pupin, alegam que foram induzidos a assinar contratos e procurações que transferiram o comando das fazendas e ativos do grupo à Fource, sem qualquer autorização judicial — em violação direta à Lei de Recuperação e Falências.
Segundo a petição, a Fource Consultoria Empresarial Ltda., a Fource Participações Ltda. e a Midas Agro Investimentos S/A se aproximaram da empresa em crise prometendo reestruturação, mas acabaram assumindo o controle operacional e financeiro do grupo.
“O que se revelou foi uma manobra de alavancagem da Midas/Fource por meio da utilização do próprio patrimônio do Grupo Pupin”, descrevem os advogados.
Segundo a ação de Pupin, ficou demonstrado que as empresas ligadas à Fource e à Bom Jesus concentram mais de R$ 870 milhões em créditos, consolidando um núcleo de poder econômico em torno da recuperação do Grupo Pupin.
Fource e Bom Jesus
A ação judicial de Pupin também destaca que Valdoir Slapak, ex-diretor financeiro do Grupo Bom Jesus, é um dos nomes centrais da Fource — e chegou a receber procuração pública da Bom Jesus para representá-la em negócios, no mesmo cartório em que foi lavrada a procuração que deu à Fource o controle dos bens do Grupo Pupin.
A coincidência reforça, segundo a defesa de Pupin, o vínculo societário e a atuação coordenada entre as companhias. "É público e notório no meio do agronegócio, o vínculo da Bom Jesus com o grupo Midas/Fource, o que pode ser corroborado pelo histórico da relação profissional de Valdoir Slapak, ex-diretor financeiro do grupo, conforme divulgado no seu perfil do Linkedin", diz a ação.
Além da Bom Jesus, outras empresas ligadas a Vigolo, como a ABJ Comércio Agrícola Ltda. e a Agropecuária Araguari Ltda., aparecem entre as detentoras de créditos relevantes. A ABJ, inclusive, foi signatária do contrato original com o Grupo Pupin, firmado em setembro de 2020.
O documento judicial cita ainda fundos de investimento que teriam participado da aquisição de créditos do Grupo Pupin — entre eles AFARE I, 4SSETS, KRIPTA e ROMA FIDC-NP. Todos são administrados pela Trustee DTVM, instituição mencionada em investigações da Polícia Federal sobre movimentações financeiras suspeitas na Faria Lima.
Esses fundos têm como procuradora a advogada Elaine Gomes dos Santos, o que indica, segundo os advogados dos Pupin, uma "atuação conjunta e coordenada entre as partes".
Cessões de créditos e conflito de interesses
A estratégia da Fource/Midas, segundo a petição, consistia em comprar créditos de grandes credores – como os bancos John Deere e Votorantim – logo após assumir o controle do caixa da empresa em recuperação. Isso lhes permitiu influenciar votações de assembleias de credores e consolidar poder no processo judicial.
A defesa do Grupo Pupin aponta “confusão patrimonial e conflito de interesses”, já que as mesmas empresas atuavam ora como gestoras, ora como credoras. O relatório da administradora judicial confirma que o grupo Midas/Fource chegou a votar na Assembleia Geral de Credores, na condição de cessionário de créditos.
Os números da disputa
De acordo com planilhas anexadas à petição, as principais empresas e fundos relacionados ao caso detêm os seguintes valores aproximados:
Empresa/Fundo Crédito Total
Bom Jesus Agropecuária Ltda. R$ 584 milhões
Midas Agro Investimentos S/A R$ 188 milhões
Fource Participações Ltda. R$ 58,5 milhões
ABJ Comércio Agrícola Ltda. R$ 34 milhões
Agropecuária Araguari Ltda. R$ 7 milhões
Global Trade Investimentos e Participações R$ 1,8 milhão
Pupin acusa Fource de atuar como “parasita” e desviar milhões
As informações são do Mídia News
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.