Guerra no Oriente Médio eleva custos e preocupa Sanepar
Presidente da companhia afirma que alta do PVC e dificuldade para comprar materiais pressionam custos; ácido fluorsilícico subiu 1.200% e falta do produto preocupa o setor
A guerra no Oriente Médio já afeta o setor de saneamento do Paraná por meio do aumento dos preços e da dificuldade para encontrar alguns insumos usados pelas companhias. Na Sanepar, o impacto começa a pressionar os custos das operações e pode dificultar a participação de empresas em futuras licitações.
A avaliação é do presidente da Sanepar, Wilson Bley. Segundo ele, um dos principais exemplos é o PVC, utilizado em redes e estruturas do setor. O preço do material subiu mais de 100% desde o início da guerra.
Bley também citou dificuldades para a compra de alguns materiais e o impacto da alta do diesel sobre o transporte dos insumos adquiridos pela companhia.
Ácido usado na água sobe 1.200%
Outro produto afetado pela crise é o ácido fluorsilícico, utilizado no processo de fluoretação da água. Segundo informações citadas pela CNN, o produto está em falta no mercado brasileiro e teve alta de 1.200% desde o início do ano.
Diante da dificuldade de abastecimento, o setor de saneamento passou a defender a suspensão temporária da fluoretação da água por 90 dias. A medida seria utilizada para permitir uma reestruturação do mercado do ácido fluorsilícico.
O Ministério da Saúde, porém, resiste ao pedido e ainda analisa a possibilidade de suspender temporariamente o uso do produto.
A falta do ácido também levou a Sanepar a discutir medidas preventivas com autoridades de saúde. A companhia mantém tratativas com o Ministério da Saúde e, no Paraná, com a Secretaria de Estado da Saúde e a Vigilância Sanitária.
A intenção é definir os procedimentos que deverão ser adotados caso seja necessário interromper temporariamente a fluoretação em alguma região.
Apesar das dificuldades, Bley afirmou que a Sanepar ainda não enfrenta um cenário de risco de desabastecimento generalizado. De acordo com o presidente, os estoques mantidos pela companhia dão alguma margem para enfrentar o problema enquanto novas alternativas de fornecimento são buscadas.
Alta dos insumos pode afetar licitações
Além do impacto direto nas despesas, a elevação dos preços dos materiais pode atingir os investimentos da Sanepar. Bley afirmou que o cenário de incerteza pode reduzir o interesse das empresas em participar de futuras licitações da companhia.
“Não sei se eventuais licitações que nós possamos colocar no ar vão ter apetite de mercado, porque [os preços] estão em discordância com os valores cobrados nesse momento”, disse o presidente em entrevista à CNN.
A preocupação está relacionada à diferença entre os valores considerados nos processos de contratação e os preços praticados atualmente no mercado.
Bley também afirmou que os chamados choques de preços costumam provocar aumentos rápidos nos custos dos insumos. A queda, porém, tende a ocorrer de forma mais lenta e, segundo ele, os valores muitas vezes não retornam ao patamar anterior.
“Quando há esses acréscimos, para haver um decréscimo, a velocidade é muito menor e nunca chega no estágio que estava naquele momento que houve o acréscimo. Então a gente tem que começar a se preparar para esse novo momento”, afirmou.
Com esse cenário, a Sanepar trabalha com a possibilidade de que parte do aumento dos custos deixe de ser temporária e passe a fazer parte da estrutura de preços do setor.
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