JAC Motors tira carros de linha e reduz lojas no Brasil
Marca chinesa encerra venda de dois modelos, reduz rede de concessionárias e concentra estratégia brasileira no segmento de picapes
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A JAC Motors, uma das primeiras marcas chinesas a se estabelecer no mercado brasileiro, passa por um processo de redução de sua operação no país, com a saída de dois modelos de linha e o fechamento de concessionárias. O movimento ocorre justamente enquanto uma nova onda de fabricantes chineses amplia a presença no mercado nacional. As informações são do Auto Esporte.
Os modelos E-JS4 e E-J7 deixaram de ser comercializados. Concessionárias consultadas informaram que não há mais unidades em estoque nem previsão de novos lotes. O futuro do E-JS1, terceiro modelo de passeio da marca, também é considerado incerto, embora o veículo ainda esteja disponível em algumas lojas como linha 2027.
A redução também atingiu a rede de concessionárias. Das cinco unidades listadas anteriormente no site da JAC, a loja de Brasília encerrou as atividades. Em São Paulo, uma das duas unidades informou que irá unificar as operações com a outra loja. Com isso, a marca passa a contar com três pontos de venda próprios ou listados oficialmente: a matriz, no bairro do Limão, em São Paulo, além de unidades em Curitiba e Porto Alegre.
A situação contrasta com o início da operação da JAC no país. A marca chegou ao Brasil em 2010 e, em determinado momento, chegou a inaugurar 50 lojas em um único dia. Atualmente, embora a rede comercial tenha diminuído, a empresa afirma manter uma estrutura de atendimento com 142 oficinas credenciadas em todo o território nacional.
Em nota, a JAC afirmou que vem desenvolvendo há cerca de dois anos um modelo de vendas online e à distância, que, segundo a empresa, tem apresentado resultados positivos. A estratégia permitiria ampliar o alcance da marca e atender consumidores de diferentes regiões sem depender exclusivamente da estrutura tradicional de concessionárias.
A montadora também confirmou que está passando por um reposicionamento estratégico no mercado brasileiro. A prioridade agora está no segmento de picapes, com foco em modelos a diesel e elétricos.
Nesse cenário, a Hunter é apontada pela própria empresa como o principal produto da marca no varejo brasileiro. A picape média é oferecida na configuração 2025/2026, com preços a partir de R$ 219,9 mil.
O E-JS1, por outro lado, ainda não foi oficialmente retirado de linha. O modelo teve 122 unidades emplacadas em 2026, mas não foi citado pela JAC ao detalhar sua nova estratégia. A ausência de menção alimenta dúvidas sobre a permanência do hatch no mercado brasileiro.
Os modelos elétricos que deixaram de ser comercializados também enfrentavam dificuldades de competitividade. O E-JS4, por exemplo, aparecia no site da marca por R$ 254,9 mil, enquanto concorrentes de proposta semelhante têm preços inferiores. Já o E-J7, com 193 cv e preço de R$ 259,9 mil, disputava espaço em uma faixa na qual há modelos com maior potência e forte presença no mercado.
Uma história marcada por planos que não avançaram
A trajetória da JAC no Brasil começou durante o Salão do Automóvel de 2010, quando a marca apostava em uma expansão acelerada. Entre os primeiros modelos estavam J3, J3 Turin, J6, J5 e J2.
A empresa chegou a anunciar a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, com investimento de R$ 900 milhões e capacidade projetada de 110 mil veículos por ano. O projeto, porém, não avançou além das etapas iniciais.
Em 2017, uma nova tentativa foi anunciada, desta vez em Goiás, com previsão de investimento de R$ 200 milhões e produção de 35 mil veículos anuais. Assim como o projeto baiano, a fábrica não chegou a ser construída.
Agora, diante do avanço de novas marcas chinesas no Brasil, a JAC aposta em uma operação mais enxuta, vendas à distância e concentração no segmento de picapes para tentar manter espaço no mercado nacional.
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