Violência doméstica no Paraná: oito mulheres são agredidas por hora, aponta levantamento do TJPR
Dados da Coordenadoria da Mulher do Tribunal revelam quase 6 mil casos em apenas um mês; Câmara especializada do Judiciário paranaense já julgou 3,5 mil processos em seis meses
O Paraná registrou 5.783 casos de violência doméstica apenas em janeiro deste ano, segundo dados da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. O número representa média de 186 ocorrências por dia, quase oito por hora.
“Os números crescem dia a dia quando falamos de violência de gênero, mas a Câmara, com todo o empenho dos magistrados e equipes envolvidas, está comprometida com uma prestação jurisdicional técnica e acolhedora”, destaca a coordenadora da Cevid, desembargadora Cristiane Tereza Willy Ferrari.
Os dados são divulgados no momento em que a 6ª Câmara Criminal do TJPR, especializada exclusivamente em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, completa seis meses de atuação. A estrutura é apontada pelo tribunal como a primeira do país dedicada exclusivamente a esse tipo de julgamento.
Câmara especializada julgou 3,5 mil processos
A sessão inaugural da 6ª Câmara Criminal foi realizada em 21 de agosto de 2025. Criada por meio da Lei Estadual nº 22.382/25, a unidade tem como objetivo dar mais celeridade à tramitação de processos relacionados à violência de gênero e concentrar a análise desses casos em um colegiado especializado.
Em seis meses, cerca de 3.500 processos foram julgados. No período, a 6ª Câmara Criminal passou a ser o colegiado com maior volume de casos recebidos no tribunal.
“Esses seis meses foram de adaptação de uma nova realidade para o Paraná em virtude da especialização dessa Câmara que só trabalha com violência doméstica. Começamos a sedimentar alguns entendimentos, ver quais são os casos mais comuns. E esse é apenas o primeiro pontapé. Ainda vamos desenvolver muita coisa ao longo dos próximos anos”, afirma o presidente da 6ª Câmara Criminal, desembargador Luiz Osório Moraes Panza.
Julgamento com perspectiva de gênero
Segundo o magistrado, os julgamentos precisam seguir protocolo com perspectiva de gênero.
“Não é ser tendencioso ou parcial, mas julgar a partir do olhar para a mulher, para o contexto feminino. É isso que os membros da Câmara têm observado. Com isso, estamos conseguindo desafogar o que estava parado por conta da não especialização. Tudo que se especializa, a tendência é você agilizar”, explica.
O desembargador também ressalta que os números oficiais não refletem totalmente a dimensão do problema.
“Cada um dos casos novos que recebemos conta uma história de terror, um drama. Esses números estão mostrando a violência da sociedade e ainda não correspondem a uma realidade, porque ainda há muita subnotificação. Temos que combater a violência de gênero numa perspectiva de prevenção e não meramente de correção”, reforça Luiz Osório Moraes Panza.
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