Lula diz ter achado que carta de Trump era “material apócrifo”
Presidente brasileiro critica tom da mensagem enviada pelos EUA, defende a soberania nacional e cogita aplicar reciprocidade comercial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter estranhado o teor e a forma como recebeu a carta enviada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciando a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Lula, a mensagem, publicada na rede Truth Social, “parecia um material apócrifo” e não condiz com o padrão diplomático esperado entre chefes de Estado.
“Não é costume você ficar mandando correspondência para o presidente da República por meio do site oficial”, declarou Lula, em entrevista à TV Record exibida nesta quinta-feira (10). “Se Trump conhecesse o Brasil, teria mais respeito.”
Na carta, Trump associa a nova tarifa à suposta “censura” a plataformas digitais nos EUA e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que chamou de “caça às bruxas”.
Lula rebateu, dizendo que o processo contra Bolsonaro não é político, mas judicial. “Se o que o Trump fez no Capitólio tivesse acontecido aqui, ele estaria sendo processado como o Bolsonaro”, disse. O presidente brasileiro ainda afirmou que a Justiça é autônoma e que o país tem leis próprias, que precisam ser respeitadas por qualquer empresa que opere em território nacional.
Negociação ou reciprocidade
O chefe do Executivo brasileiro também contestou os argumentos de Trump sobre déficit comercial, alegando que os EUA, na verdade, tiveram superávit nas trocas com o Brasil em 2023. “Exportaram US$ 47 bilhões e importaram US$ 40 bilhões. Será que a assessoria dele não sabe disso?”, ironizou.
Apesar da crítica, Lula disse estar aberto ao diálogo. “Mas se não houver negociação, a Lei da Reciprocidade será aplicada. Se ele vai cobrar 50% da gente, vamos cobrar 50% deles.”
Trump estaria incomodado com os BRICS, diz Lula
Lula sugeriu que a postura agressiva de Trump pode estar ligada à crescente articulação dos países do Sul Global, especialmente o grupo BRICS, do qual o Brasil faz parte. “Talvez tenha se incomodado com a reunião dos BRICS, já que ele não participou do G7 e nós fomos. Qualquer dia convido ele para o BRICS, se quiser vir, será bem-vindo”, provocou.
O presidente finalizou criticando a postura internacional do norte-americano: “Ele foi eleito presidente dos Estados Unidos, não xerife do mundo. Aqui quem manda somos nós, os brasileiros.”
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