Mendonça derruba sigilo de 39 processos no STF; casos envolvem políticos e investigação sobre Banco Master
Entre os procedimentos tornados públicos estão apurações que citam Flávio e Eduardo Bolsonaro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner; decisão ocorre em meio à disputa interna no Supremo sobre a divulgação de investigações
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo de 39 processos que tramitavam de forma reservada na Corte. A medida amplia significativamente o volume de documentos que passam a ficar acessíveis e alcança petições e inquéritos envolvendo políticos, empresários e investigações que chegaram ao Supremo.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (11) e atende parcialmente a uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão havia pedido a abertura de 18 procedimentos. Mendonça foi além e, por iniciativa própria, determinou a retirada do sigilo de outros 21 processos.
Entre eles estão os inquéritos 5.050 e 5.070, além de uma série de petições que até então permaneciam sob restrição de acesso.
A decisão ocorre justamente no momento em que o STF atravessa uma disputa interna envolvendo o acesso e a divulgação de documentos relacionados às investigações sobre o antigo Banco Master.
Dark Horse entra na lista
Um dos processos que tiveram o sigilo levantado é a Petição 16.369, relacionada à investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação apura suspeitas relacionadas aos recursos destinados à produção da cinebiografia. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro aparecem como alvos da investigação.
A existência da apuração ganhou repercussão depois que documentos do caso passaram a ser conhecidos com a retirada das restrições de acesso.
Ciro Nogueira
Outro procedimento que passa a ter acesso público é a Petição 15.873, relacionada à Operação Compliance Zero.
A investigação apura a suposta atuação do senador Ciro Nogueira em favor de interesses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
De acordo com elementos mencionados na decisão que autorizou a operação, a Polícia Federal apontou suspeitas de recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar. A existência de investigação não significa responsabilização ou condenação, e as suspeitas ainda dependem da conclusão das apurações e da análise judicial.
Jaques Wagner também aparece
As Petições 16.210 e 16.229 também tiveram o sigilo retirado. Elas estão relacionadas a investigações envolvendo o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Os procedimentos fazem parte de desdobramentos da nona fase da Operação Compliance Zero.
Com isso, a abertura dos documentos alcança personagens de diferentes campos políticos, justamente em um momento em que a forma como os sigilos das investigações vinham sendo retirados passou a provocar questionamentos dentro do próprio Supremo.
Pressão por transparência
Horas antes da decisão, o presidente do STF, Edson Fachin, havia determinado que Mendonça disponibilizasse os documentos relacionados à Operação Compliance Zero.
Fachin estabeleceu prazo de 24 horas para o cumprimento da determinação. A decisão ocorreu após manifestação da Procuradoria-Geral da República, que questionou a divulgação apenas parcial dos documentos e alertou que a situação poderia transmitir uma percepção equivocada sobre a transparência das investigações.
Mendonça já havia tornado públicos 15 procedimentos derivados da Compliance Zero.
O ministro Alexandre de Moraes também questionou a maneira como os documentos estavam sendo divulgados e apontou possível “seletividade” na retirada dos sigilos.
Em resposta, Mendonça afirmou que havia disponibilizado integralmente os procedimentos relacionados ao julgamento do caso Master que estavam sob sua responsabilidade e justificou a manutenção de restrições em determinados documentos pela existência de investigações em andamento e pela necessidade de preservar dados pessoais.
18 pedidos, 39 abertos
A nova decisão amplia o alcance da publicidade dos processos. Enquanto a PGR havia relacionado 18 procedimentos que deveriam ser abertos, Mendonça determinou a retirada do sigilo de outros 21.
O ministro ressalvou, entretanto, que os 39 processos agora abertos não devem ser interpretados como integrantes do objeto da sessão extraordinária convocada pelo STF para a próxima terça-feira (15).
A sessão deverá analisar a controvérsia envolvendo Alexandre de Moraes e as suspeitas sobre eventual relação com Daniel Vorcaro.
A distinção é importante porque a retirada conjunta dos sigilos poderia transmitir a impressão de que todos os procedimentos estão diretamente relacionados ao embate que será analisado pelo plenário. Segundo Mendonça, isso não ocorre.
Ainda assim, a abertura dos processos amplia o conjunto de informações disponíveis sobre investigações que atingem personagens de peso da política nacional e acontece no momento de maior tensão recente entre integrantes do Supremo em torno do caso Banco Master.
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