MPPR contesta prisão domiciliar concedida a Jorge Guaranho e pede execução imediata da pena
Na petição, o MPPR argumenta que Guaranho apresenta um "alto grau de belicosidade latente", evidenciado pelo crime cometido
O Ministério Público do Paraná (MPPR) requereu, nesta segunda-feira (17), que a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) negue a prisão domiciliar concedida ao ex-policial penal Jorge Guaranho. O condenado foi sentenciado a 20 anos de prisão, na semana passada, pelo Tribunal do Júri de Curitiba, pelo assassinato do guarda municipal de Foz do Iguaçu Marcelo Arruda.
Na petição, o MPPR argumenta que Guaranho apresenta um "alto grau de belicosidade latente", evidenciado pelo crime cometido. O órgão também enfatiza que não há justificativa para a conversão da pena em domiciliar, especialmente considerando que "a violência perpetrada tem relação direta com aspectos de ordem pessoal/comportamental que não mudam do dia para a noite".
O Ministério Público citou ainda recente entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que a soberania dos vereditos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução da condenação, independentemente da pena imposta. A tese, fixada no Tema 1.068, reforça que, uma vez condenado pelo Júri Popular, não há mais a necessidade de medidas cautelares como a prisão domiciliar.
A decisão inicial de manter Guaranho preso foi proferida pela magistrada Mychelle Pacheco Cintra Stadler, que destacou na sentença que o condenado deveria "ser recolhido em estabelecimento prisional respectivo para o início imediato do cumprimento da pena". O MPPR reafirma essa posição, destacando que a prisão domiciliar diverge da prisão cautelar e que o caso exige execução imediata da pena privativa de liberdade.
Decisão liminar e protestos
No entanto, menos de 48 horas após ser levado ao Complexo Médico Penal de Pinhais, Guaranho obteve prisão domiciliar por decisão liminar do desembargador Gamaliel Seme Scaff, do TJ-PR. A decisão atendeu a um pedido da defesa, que alegou que o condenado possui necessidades médicas específicas devido às sequelas das agressões sofridas após o crime.
A decisão gerou revolta entre familiares e amigos de Marcelo Arruda. No domingo (16), um protesto pacífico foi realizado nas ruas de Foz do Iguaçu. Vestidos de branco e portando cartazes com a imagem da vítima, os manifestantes cobraram justiça e criticaram a conversão da pena. Pâmela Suellen Silva, viúva de Arruda, esteve presente no ato e reforçou a indignação da família com a decisão.
Justificativas da defesa e a análise do MPPR
A defesa de Guaranho apresentou um habeas corpus para garantir a prisão domiciliar, alegando que o condenado tem dificuldades de locomoção e necessita de fisioterapia. O desembargador Scaff justificou sua decisão afirmando que "não se pode desprezar a precária condição de saúde do paciente".
O MPPR, porém, contesta essa argumentação, afirmando que Guaranho "não está extremamente debilitado" e que os vídeos recentes de sua entrada e saída do fórum mostram que ele não apresenta limitações graves. O Ministério Público ainda destaca que, enquanto esteve preso, Guaranho foi medicado e acompanhado por profissionais de saúde, conforme relatório do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
A prisão domiciliar concedida a Guaranho é temporária e ainda será analisada pelo TJ-PR, que julgará o mérito do pedido. Enquanto isso, o MPPR segue mobilizado para reverter a decisão e garantir que a pena seja cumprida em regime fechado, conforme determinado pela justiça no julgamento do Tribunal do Júri.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.