Simepar prevê reflexos do El Niño no Paraná com chuvas a partir de julho
Agência dos EUA confirma aquecimento no Oceano Pacífico; meteorologia do Paraná prevê precipitações acima da média a partir de julho e Defesa Civil adota medidas
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) o início das condições favoráveis à formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o Simepar, os primeiros reflexos no Paraná podem ser sentidos a partir de julho, com previsão de aumento no volume de chuvas ao longo do segundo semestre.
De acordo com os dados monitorados pela agência norte-americana, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial já está mais de 0,5°C acima da média histórica desde maio. A tendência é de continuidade do aquecimento nos próximos meses, tanto na superfície quanto nas camadas mais profundas do oceano.
O Simepar explica que o aquecimento das águas altera o comportamento dos ventos alísios, responsáveis pela circulação atmosférica na região do Pacífico, influenciando diretamente os padrões climáticos em diversas partes do planeta.
Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, a mudança na direção dos ventos já começou a ser observada. O fluxo, que normalmente ocorre de leste para oeste, passou a apresentar comportamento contrário, deslocando águas mais quentes da região da Oceania em direção à costa oeste da América do Sul.
Esse processo contribui para intensificar o aquecimento das águas e alterar a formação de sistemas meteorológicos em diferentes regiões do mundo.
Apesar da confirmação das condições favoráveis ao fenômeno, o Simepar ressalta que o El Niño ainda não está oficialmente consolidado. Para isso, é necessário que o aquecimento do oceano permaneça acima de 0,5°C por três meses consecutivos. A expectativa é que essa condição seja atingida em julho.
Paraná pode registrar mais chuva no segundo semestre
Embora os efeitos ainda não sejam observados diretamente no Estado, as projeções climáticas indicam que o Paraná deverá registrar chuvas acima da média entre julho e dezembro.
Segundo o Simepar, os principais centros internacionais de monitoramento climático convergem para um cenário de precipitações superiores ao normal durante o segundo semestre, especialmente na primavera.
A previsão aponta ainda uma probabilidade de 63% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso esse cenário se confirme, o evento poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início da série histórica de monitoramento, iniciada em 1950.
Além da NOAA, uma atualização divulgada nesta semana pelo sistema europeu Copernicus também aponta para a formação de um El Niño forte a muito forte. O levantamento reúne projeções de centros meteorológicos da Austrália, Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França e Reino Unido.
Defesa Civil intensifica ações preventivas
Diante das previsões, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil já iniciou ações de preparação para minimizar possíveis impactos do fenômeno.
Desde março, os dez Núcleos de Atuação Regional (NAR) passaram a reforçar atividades voltadas à prevenção de desastres naturais em diferentes regiões do Paraná.
Entre as medidas adotadas estão simulados em áreas de risco, reuniões com prefeitos e coordenadores regionais e orientações para atualização dos planos municipais de contingência.
Os municípios também foram orientados a intensificar ações como o desassoreamento de rios e córregos, o mapeamento de áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos, a identificação de populações vulneráveis e a atualização dos cadastros de abrigos.
Outra recomendação é a criação ou fortalecimento dos fundos municipais de Defesa Civil, mecanismo utilizado para agilizar o recebimento de recursos em situações de emergência.
Segundo o Governo do Estado, entre 2025 e 2026 foram destinados R$ 16 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras preventivas e de reconstrução em municípios como Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.
O Simepar seguirá monitorando a evolução do fenômeno e atualizando as previsões climáticas para os próximos meses.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.