Novas denúncias contra o Hospital Vita apontam atraso de FGTS, consignados e nomes negativados
Ex-funcionários relatam descontos de empréstimos consignados sem repasse aos bancos, atraso no FGTS, falta de baixa na carteira de trabalho e nomes incluídos no Serasa. Gazeta do Paraná teve acesso a documentos enviados pelas fontes
As denúncias contra o Hospital Vita continuam chegando à redação da Gazeta do Paraná. Depois da publicação da primeira reportagem, que trouxe relatos de funcionários e a manifestação oficial da unidade hospitalar, diversos colaboradores e ex-colaboradores procuraram o jornal para contestar a versão apresentada pela empresa e relatar situações semelhantes.
As mensagens foram enviadas por meio das redes sociais da Gazeta, incluindo Instagram, Facebook e comentários nas publicações. Segundo os denunciantes, os problemas envolvem atrasos nos depósitos do FGTS, falta de baixa na carteira de trabalho após o desligamento e, principalmente, o não repasse aos bancos de valores descontados em folha referentes a empréstimos consignados.
Uma das fontes afirma que acabou tendo o nome negativado por causa da situação.
"Fui para o Serasa e até agora não pagaram os bancos. Os bancos estão indo atrás deles e agora tentarei receber na Justiça. Eles mentiram na nota de resposta. Funcionários que trabalham atualmente podem provar."
A mesma pessoa afirma que deixou a empresa sem receber as verbas rescisórias e que ainda enfrenta problemas relacionados ao vínculo empregatício.
"Nem a carteira de trabalho deram baixa. Continua em aberto. Estão fugindo. A situação é pior do que vocês imaginam. Posso provar tudo o que estou dizendo. Eles estão descontando e não estão pagando os bancos. A empresa nem aparece no aplicativo do FGTS. Mudaram de banco devido às dívidas. Saí da empresa no dia 8 e estou sem receber. Meu nome foi parar no Serasa e não pagaram nada: acerto, FGTS e consignados."
Reclamações semelhantes
Os relatos recebidos pela Gazeta apresentam um mesmo padrão. Em outra manifestação encaminhada à reportagem, um ex-funcionário afirma que ingressou com uma ação na Justiça após descobrir que os descontos realizados em seu salário não estavam sendo repassados à instituição financeira.
"Estou processando a empresa. Eles estão recolhendo os valores e não estão repassando. Meu nome foi negativado devido a isso. Eu pago todos os meses e eles não fazem os devidos repasses. Entrei com rescisão indireta por causa dessa situação."
A reportagem também teve acesso a uma troca de e-mails entre uma instituição financeira e um cliente que relata o mesmo problema. Nas mensagens, o banco informa que irá apurar o caso junto ao setor de Recursos Humanos da empresa após receber a informação de que os valores foram descontados na folha de pagamento, mas não chegaram à instituição financeira.
Em outro trecho da conversa, o trabalhador afirma que foi informado de que não havia garantia de quitação dos valores nas datas previstas e que precisou ingressar com uma ação judicial para tentar recuperar o dinheiro já descontado de seu salário.
Segundo ele, enquanto a situação não é regularizada, permanece impossibilitado de quitar as parcelas restantes do contrato, apesar de os descontos terem sido realizados durante o período em que trabalhava na empresa.
Documentos reforçam os relatos
Além dos depoimentos, a Gazeta do Paraná recebeu documentos encaminhados pelas fontes que, segundo elas, comprovam parte das irregularidades denunciadas. Entre os materiais estão conversas com instituições financeiras, comprovantes relacionados aos descontos em folha e outros documentos que serão apresentados ao longo desta reportagem. VEJA MAIS ABAIXO
Os documentos indicam detalhes das situações narradas pelos denunciantes e deverão integrar a apuração jornalística.
Hospital já havia sido procurado
Quando as primeiras denúncias chegaram à redação, a Gazeta do Paraná procurou o Hospital Vita para que apresentasse sua versão dos fatos. Na ocasião, a instituição encaminhou uma nota oficial afirmando que, desde a assunção da gestão dos hospitais, em novembro de 2024, vem conduzindo um processo de reorganização administrativa, financeira e operacional.
No posicionamento, o Grupo Vita declarou que eventuais passivos relacionados ao FGTS anteriores à atual gestão estariam sendo regularizados dentro dos instrumentos legais e que todos os colaboradores desligados tiveram seus direitos rescisórios integralmente quitados. A empresa também afirmou que os recolhimentos necessários para a movimentação das contas vinculadas foram sanados.
Sobre as alegações envolvendo crédito consignado, o hospital informou que identificou uma falha pontual em uma única competência, atribuída a uma intercorrência operacional, e que a situação teria sido prontamente regularizada, não havendo inconformidades.
A instituição ainda destacou que é uma empresa privada, independente de repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), e que mantém suas operações com recursos próprios, empregando cerca de 1.500 colaboradores.
Atualização: as imagens foram removidas diante de orientação jurídica dos envolvidos.
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