Nunes Marques é citado em mensagens de Vorcaro sobre mansão no Carnaval
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram tratativas para hospedar um ministro identificado como “KN” em uma mansão de R$ 250 milhões durante o Carnaval de 2025.
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Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mostram tratativas para hospedar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o Carnaval de 2025 em uma mansão de luxo no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelos jornalistas Tácio Lorran e Mateus Salomão, do Metrópoles.
Nas conversas, o ministro é identificado pelas iniciais “KN”. Segundo a reportagem, investigadores da Polícia Federal apontam que o nome seria uma referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
O imóvel fica no Joá, bairro nobre da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e pertence ao ator Márcio Garcia. Avaliada em cerca de R$ 250 milhões, a mansão teria sido alugada por aproximadamente R$ 1,45 milhão para uma semana durante o Carnaval.
O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), também aparece nas conversas relacionadas à hospedagem. Segundo a reportagem, ele é apontado como amigo de Nunes Marques.
O Metrópoles procurou Kassio Nunes Marques e Newton Ramos para comentar o conteúdo das mensagens. Os dois não se manifestaram.
O que dizem as mensagens
As conversas mostram que Vorcaro participou da organização da estrutura para receber o grupo durante o Carnaval. Além da hospedagem, os diálogos citam contratação de chef de cozinha, garçons e motoristas, além da compra de bebidas de alto padrão.
Entre os produtos mencionados nas mensagens estão uísque Macallan 12, vinhos Sassicaia e Chablis e champanhes Moët Chandon e Dom Pérignon.
A logística era tratada por Vorcaro com Léo Serrano Giunchetti. Newton Ramos aparece nas conversas como interlocutor relacionado à equipe ligada ao ministro.
Em uma das mensagens, Léo afirma que Newton havia pedido informações porque precisava repassá-las ao ministro.
“Vou ser sincero, desculpa, mas como vc havia me dito que essa casa ficaria pro ministro e o Newton entrou em contato comigo, eu achei q tava ajudando andando com esses detalhes sem ficar te amolando”, escreveu Léo em 19 de fevereiro de 2025.
Segundo a reportagem, a hospedagem de “KN” na mansão teria sido confirmada posteriormente.
Feijoada e acesso a camarote
As conversas também mostram que a programação planejada incluía outros serviços e eventos.
Em uma das mensagens, Léo relata a Vorcaro que Newton Ramos queria organizar uma feijoada para aproximadamente 40 pessoas na mansão.
“E Dani, o Newton está querendo organizar uma feijoada na casa la do Márcio na próxima sexta-feira para umas 40 pessoas. Isso está liberado? Como quer que trate esse tema?”, escreveu Léo.
Vorcaro respondeu: “Pode fazer”.
Em outro trecho, aparecem tratativas para acesso à área VIP de um camarote. Segundo as mensagens, Newton teria pedido pulseiras e uma forma para que “KN” entrasse no espaço sem passar pelo procedimento convencional de cadastro no aplicativo do evento.
Os diálogos também citam kits, motoristas e um passeio de helicóptero durante o Carnaval.
Mansão de R$ 250 milhões
A propriedade fica no Joá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, próxima à Pedra da Gávea. O imóvel tem aproximadamente 6 mil metros quadrados, sete suítes e vista panorâmica para o mar.
A mansão possui ainda escritório com capacidade para cerca de 20 pessoas, consultório, academia, piscina semiolímpica, sistema de segurança e área para minigolfe.
O projeto paisagístico é associado ao escritório de Roberto Burle Marx. Segundo o Metrópoles, a propriedade está localizada a cerca de 100 metros acima do nível do mar.
Quem é Kassio Nunes Marques
Kassio Nunes Marques é ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2020. Ele foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.
Atualmente, Nunes Marques integra a Segunda Turma do STF. Ele também já presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A identificação de “KN” como Kassio Nunes Marques é atribuída aos investigadores da Polícia Federal. As mensagens divulgadas na reportagem, por si só, não confirmam publicamente que o ministro tenha feito pessoalmente os pedidos ou recebido diretamente os serviços citados nas conversas.
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