Paraná cria novos departamentos para reforçar combate ao crime organizado e operações especiais
Reestruturação da Polícia Civil extingue o Cope e institui o Draco e o Does, com foco em inteligência, repressão a facções e atuação em situações de alto risco
O Governo do Paraná encaminhou uma profunda reformulação na estrutura da Polícia Civil com a criação de dois novos departamentos voltados ao combate ao crime organizado e operações especiais. A mudança faz parte da nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Paraná, aprovada pela Assembleia Legislativa em regime de urgência, e prevê a extinção do tradicional Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), criado em 1999.
No lugar do Cope, o Estado vai instituir o Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e o Departamento de Operações Especiais (Does). Segundo o governo, a proposta busca ampliar a especialização das forças policiais e reorganizar as atribuições estratégicas da corporação diante do avanço das organizações criminosas no Paraná.
De acordo com a nova estrutura, o Draco ficará responsável pelas investigações relacionadas ao crime organizado, concentrando atividades de inteligência e repressão a facções criminosas. Já o Does atuará em operações de alto risco, gerenciamento de crises, resgate de reféns, apoio tático-operacional e investigações de sequestros.
Em nota divulgada pelo governo estadual, a gestão afirma que a reestruturação permitirá “mais especialização, mais organização e mais capacidade de resposta” no enfrentamento ao crime organizado. O Executivo também sustenta que o conhecimento técnico acumulado pelo Cope será redistribuído entre os novos departamentos.
A mudança, no entanto, provocou reação de integrantes da área de segurança pública. O ex-secretário estadual de Segurança Pública, Wagner Mesquita, criticou publicamente a decisão e classificou a extinção do Cope como “um dos maiores retrocessos recentes na história da segurança pública paranaense”. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o antigo órgão possuía uma estrutura operacional consolidada no combate ao crime organizado.
A reformulação ocorre em um momento de pressão crescente sobre as forças de segurança em regiões estratégicas do Estado, especialmente na fronteira Oeste. Em abril deste ano, por exemplo, o Gaeco deflagrou em Foz do Iguaçu uma operação para investigar supostos rituais de “batismo” de integrantes do PCC, evidenciando o avanço das facções e a complexidade das organizações criminosas na região.
Além da criação dos novos departamentos, a nova Lei Orgânica da Polícia Civil também promove alterações administrativas internas, mecanismos de governança, planejamento orçamentário e adequações à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, sancionada em 2023.
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