Projeto que reforça medida protetiva em caso de aproximação do agressor é aprovado na Câmara
Atualmente, a Lei Maria da Penha já prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa para quem descumprir medidas protetivas de urgência
Da Redação Cascavel
Com Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (8), o Projeto de Lei 6020/23, que tipifica como descumprimento de medida judicial a aproximação do agressor de áreas delimitadas pela Justiça para proteção de mulheres vítimas de violência, mesmo que haja consentimento da vítima. O texto segue agora para análise do Senado.
De autoria da deputada Dra. Alessandra Haber (MDB-PA), o projeto foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pela relatora, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que ampliou o texto original para incluir também locais como residência e ambiente de trabalho da vítima.
Atualmente, a Lei Maria da Penha já prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa para quem descumprir medidas protetivas de urgência. Com a proposta aprovada, o descumprimento será caracterizado mesmo que a vítima autorize a aproximação, desde que seja uma ação voluntária do agressor.
Debate em Plenário
Durante a votação, parlamentares divergiram sobre o alcance da medida. A deputada Erika Kokay (PT-DF) defendeu a proposta, destacando que as medidas protetivas são fundamentais para garantir a segurança das mulheres. “Flexibilizar essas medidas é colocar vidas em risco”, afirmou.
A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) também apoiou o texto, lembrando casos trágicos em que mulheres voltaram a conviver com seus agressores e acabaram assassinadas. “O ciclo da violência é perverso. Muitas mulheres não acreditam que podem ser mortas por seus maridos ou ex-maridos”, alertou.
Por outro lado, deputados da oposição criticaram o projeto. O deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) argumentou que a proposta fere a autonomia da mulher e pode criminalizar situações banais. “A ausência de dolo desqualifica o delito. O homem, às vezes, só quer ir à festa do filho. Não faz sentido criminalizar isso”, disse.
A deputada Bia Kicis (PL-DF) também demonstrou preocupação com situações emergenciais. “Se a mulher chamar o ex-companheiro para socorrer um filho, ele poderá ser preso. Não faz sentido”, afirmou.
Maria Arraes (Solidariedade-PE), porém, rebateu que a autonomia da mulher já está comprometida quando há necessidade de medida protetiva. “A mulher não tem autonomia quando vive com medo do agressor”, destacou.
Para Sâmia Bomfim (Psol-SP), a violência anula qualquer conceito de liberdade. “Uma mulher sob violência não tem autonomia. Para resgatá-la, é preciso romper o ciclo violento”, disse.
Agora, o projeto aguarda análise do Senado Federal.
Foto Divulgação
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.