Quem é o suplente de vereador levado por Guto Silva à gerência da Sanepar
Servidor da Sanepar desde 2004, Edenilson Albani assumiu gerência em 2019 após a eleição de 2018. Fontes apontam indicação de Guto Silva; nomeação ocorreu no período de denúncias e investigações sobre corrupção e interferência política na estatal
Pato Branco é dessas cidades em que a política não se limita ao horário eleitoral. Relações pessoais, alianças de campanha e cargos públicos costumam caminhar juntos. Não por acaso, é dali que saiu Guto Silva - e é dali também que emerge Edenilson Albani, personagem que ajuda a entender como esses vínculos locais podem ganhar projeção dentro da administração pública estadual.
Albani é natural de Pato Branco e servidor de carreira da Sanepar desde 2004. Durante quase duas décadas, atuou em funções técnicas na companhia. Esse percurso sofre uma inflexão clara em fevereiro de 2019, quando passa a ocupar cargo de gerência, função que exerceu até abril de 2023. A mudança ocorre poucos meses após o ciclo eleitoral de 2018 - e esse dado é central para compreender a sequência dos fatos.
Apuração da Gazeta do Paraná aponta que Albani atuou ativamente na campanha de Guto Silva em 2018. Mais do que isso: fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a indicação de Albani para o cargo de gerência na Sanepar partiu diretamente de Guto Silva. A estatal não informa, em seus canais públicos, quais critérios técnicos fundamentaram a nomeação, tampouco se houve processo seletivo interno, avaliação formal de desempenho ou decisão colegiada.
O período em que Albani ocupou a gerência (entre 2019 e 2023) coincide com o momento em que a Sanepar passou a ser citada em denúncias e áudios vazados que apontam interferência política na companhia, com questionamentos sobre aparelhamento administrativo e enfraquecimento da autonomia técnica. Nesta denúncia o nome de Guto Silva surge com protagonismo, tanto pela presença de assessores seus nos áudios vazados, como por falas que revelam: Guto era quem autorizada “coisa errada” e mandava mais que o governador. É preciso registrar com precisão: Edenilson Albani não é citado nominalmente nas investigações (até o momento). Ainda assim, integrava a estrutura gerencial da empresa justamente quando a estatal entrou no centro desses questionamentos públicos.
Mesmo após deixar o cargo, o alinhamento político permaneceu explícito. Albani manteve militância digital recorrente em defesa de Guto Silva e, em 2024, levou essa trajetória para as urnas. Foi candidato a vereador em Pato Branco com apoio de Guto Silva, declarou-se servidor público estadual e terminou o pleito como suplente.
A sequência é objetiva: campanha política, ascensão a cargo gerencial, permanência prolongada na função, militância pública e tentativa de conversão desse capital em mandato eletivo. O ponto central, no entanto, segue sem resposta: quais critérios levaram Edenilson Albani à gerência da Sanepar em 2019? Houve mérito técnico comprovado ou a indicação política foi determinante? Em uma estatal marcada por denúncias de interferência política, questões como estas precisam ser esclarecidas.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.