Receita Federal mantém atuação contra tráfico internacional de drogas após críticas da Polícia Federal
Órgão afirma que continuará realizando operações de fiscalização e defende que atuação é complementar à da PF; divergência ganhou força após apreensão de carga de madeira investigada por suspeita de tráfico
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A Receita Federal afirmou que manterá as operações de combate ao tráfico internacional de drogas, mesmo após críticas da Polícia Federal (PF) sobre a atuação do órgão em ações de fiscalização. Em nota, a instituição vinculada ao Ministério da Fazenda defendeu que as competências dos dois órgãos são complementares e reforçou que continuará investindo em inteligência e no combate ao crime organizado.
A divergência entre as instituições veio a público depois que integrantes da PF questionaram a atuação da Receita em algumas operações, alegando que determinadas ações configurariam "usurpação de função" e poderiam prejudicar investigações conduzidas pela polícia.
Divergência aumentou após apreensão de carga de madeira
O desgaste entre os órgãos ganhou força após uma operação realizada pela Receita Federal, em junho, que resultou na apreensão de mais de 260 toneladas de madeira.
Na ocasião, a Receita divulgou a ação como a maior apreensão da história da instituição. No entanto, exames iniciais realizados por peritos da Polícia Federal não identificaram vestígios de cocaína na carga, o que ampliou as críticas sobre a condução da fiscalização.
Segundo o governo, as análises periciais do Instituto Nacional de Criminalística ainda não foram concluídas.
Receita reafirma combate ao narcotráfico
Em resposta às críticas, a Receita Federal divulgou orientação interna determinando que as equipes de fiscalização continuem atuando com rigor no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas e outros crimes relacionados ao comércio exterior.
O órgão afirmou que seguirá combatendo tentativas de utilização das cadeias logísticas internacionais para o narcotráfico, além de atuar contra a extração ilegal de madeira e outras atividades criminosas.
Segundo a Receita, os criminosos têm adotado métodos cada vez mais sofisticados para ocultar entorpecentes em cargas destinadas ao comércio internacional, exigindo o fortalecimento das ações de inteligência e da cooperação com organismos internacionais.
Apreensões de drogas cresceram em 2025
A Receita Federal informou que o volume de drogas apreendidas aumentou nos últimos anos.
De acordo com o órgão, 80 mil toneladas de entorpecentes foram apreendidas em 2025, resultado considerado recorde e 16% superior ao registrado em 2024.
Do total apreendido no ano passado, 75,3% correspondiam à maconha, 22,2% à cocaína e 2,5% a outros tipos de drogas.
Governo defende atuação integrada
Nos bastidores, servidores da Receita avaliam que eventuais divergências entre os órgãos devem ser resolvidas internamente e defendem que a fiscalização de fronteiras envolve competências compartilhadas.
Em nota, o governo afirmou que a eventual ausência de confirmação da presença de drogas em determinadas cargas faz parte da rotina operacional e não deve comprometer as ações preventivas.
Segundo o posicionamento oficial, esse tipo de resultado é uma consequência possível em operações de fiscalização e não pode servir de desestímulo ao enfrentamento das organizações criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas.
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