Redução da tarifa da Sanepar ocorre em ano eleitoral; veja histórico
Redução de 25% na tarifa mínima da Sanepar começa em outubro e ocorre durante o período eleitoral; medida recupera episódios de mudanças em tarifas no Paraná
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
O anúncio de uma redução de 25% na tarifa mínima de água e esgoto da Sanepar, feito pelo governador Ratinho Junior (PSD) nesta terça-feira (15), ocorre a poucas semanas das eleições e recupera episódios da política paranaense em que mudanças em tarifas e serviços públicos ganharam espaço durante períodos eleitorais.
A medida começa a valer em outubro e foi definida pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar). O desconto será aplicado sobre o consumo de até 5 metros cúbicos e terá duração de 30 meses. Com a redução, a tarifa mínima em determinadas localidades passa de R$ 99,16 para R$ 74,37.
A justificativa para o desconto está relacionada aos cerca de R$ 4 bilhões recebidos pela Sanepar em uma disputa judicial com a União. Pelas regras definidas pela Agepar, parte dos recursos será usada para reduzir as tarifas e outra parcela será destinada a investimentos em saneamento.
A decisão ocorre em um contexto eleitoral, mas a medida também vinha sendo discutida dentro da companhia antes do anúncio. A relação entre decisões administrativas e períodos eleitorais, no entanto, não é novidade no Paraná.
Lerner e a redução do pedágio
Um dos principais exemplos ocorreu em 1998, durante o primeiro ano em que governadores puderam disputar a reeleição no Brasil.
Naquele ano, o então governador Jaime Lerner reduziu em 50% as tarifas de pedágio do Anel de Integração. A medida foi adotada durante a campanha pela reeleição e provocou uma disputa com as concessionárias.
Lerner acabou reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro de 1998, com 52,21% dos votos válidos. Roberto Requião ficou em segundo lugar, com 45,91%.
A redução das tarifas teve consequências posteriores. As concessionárias recorreram à Justiça alegando desequilíbrio nos contratos, e mudanças posteriores nas tarifas e nos contratos mantiveram o tema no centro de disputas jurídicas e políticas no Estado.
O modelo de concessões do Anel de Integração, iniciado naquele período, permaneceu em vigor até 2021.
A disputa pela tarifa de ônibus em Curitiba
Outro episódio ocorreu em 2004, quando Beto Richa era vice-prefeito de Curitiba e Cássio Taniguchi comandava a Prefeitura.
Em janeiro daquele ano, Taniguchi autorizou um reajuste de 15,1% na tarifa do transporte coletivo. O valor passou de R$ 1,65 para R$ 1,90.
Durante uma viagem do prefeito ao exterior, Beto Richa assumiu interinamente a Prefeitura e suspendeu o reajuste. A tarifa voltou a R$ 1,65. A decisão provocou uma disputa política e administrativa sobre os custos do transporte coletivo e o valor considerado adequado para a passagem.
O episódio ganhou grande espaço na campanha daquele ano. Em outubro de 2004, Richa foi eleito prefeito de Curitiba no segundo turno, com 54,78% dos votos, derrotando o petista Angelo Vanhoni.
A redução da passagem, porém, não encerrou a discussão. Nos meses seguintes, o reajuste voltou a ser debatido e o valor chegou novamente a R$ 1,90.
Tarifas voltam ao centro da disputa
Os três episódios ocorreram em contextos políticos e administrativos diferentes. Em 1998, Lerner disputava a reeleição ao governo estadual. Em 2004, Beto Richa era vice-prefeito e assumiu temporariamente a Prefeitura durante a ausência de Taniguchi. Agora, em 2026, Ratinho Junior anuncia uma redução na tarifa mínima da Sanepar durante o período eleitoral.
A diferença é que, no caso da Sanepar, a redução foi formalizada pela Agepar e está vinculada aos recursos recebidos pela companhia em uma disputa judicial. A medida terá prazo definido e também prevê destinação de parte dos recursos para investimentos em saneamento.
O anúncio, porém, coloca novamente tarifas de serviços públicos no centro do debate político paranaense em um período de campanha.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.